Além da modernização, a Emater, vinculada à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), deve empenhar-se em reduzir sua dependência financeira em relação ao Estado. O orçamento previsto para este ano é de R$82 milhões, e a ampliação dessa receita depende da cobrança dos serviços prestados a cooperativas, grandes produtores e demais órgãos públicos.
O presidente da Emater, Rubens Niederheitmann, assumiu o cargo recentemente e antecipou à Folha Rural algumas mudanças que estão em fase de implantação. Assumiram como diretor-técnico, o engenheiro-agrônomo e funcionário da empresa, José Geraldo Alves, e como diretor-administrativo o vice-prefeito de Campo Mourão, Márcio Fernando Nunes.
A estrutura hierárquica que predominava na empresa há 42 anos, desde que ela foi fundada, será totalmente eliminada. Em consequência, os técnicos que estão no escritório central, em Curitiba, vão dirigir-se ao campo, para conduzir os programas na ponta, junto com os técnicos locais e regionais. A falta de estrutura em algumas localidades será compensada com o deslocamento eventual de técnicos de uma região para outra. O cronograma antigo será substituído por processos, em que toda a estrutura, desde o escritório central até os locais, será concentrada na execução de projetos que serão definidos nos municípios e regiões.
LinhasDentro dessa reestruturação, a extensão rural terá como ponto de partida as três linhas definidas pela Seab: 1 - a profissionalização do produtor como forma de avançar no desenvolvimento rural; 2 - a sanidade pecuária, que permitirá a qualidade e a competitividade do produto agropecuário e a agroindustrialização, que dará prioridade às destinadas a permitir a agregação de renda ao produto agrícola.
Outro aspecto da reestruturação, é a redução do organograma. A estrutura anterior, com 11 cargos ocupados por cinco coordenadores, cinco gerências operacionais e uma chefia de gabinete, será reduzida para quatro cargos: três coordenadores e a chefia de gabinete. A distância entre o chefe local, no município, e a diretoria, em Curitiba, será encurtada em dois níveis com a eliminação da gerência operacional e dos coordenadores das GOs (gerências operacionais).
Com a estrutura atual foram reduzidos os niveis hierárquicos: diretoria, coordenador dos processos, chefia regional e chefia local. Pelo sistema de processo, como será direcionado o trabalho da Emater, o coordenador escolhido será um especialista na área. Ele vai trabalhar com resultados, estabelecidos pelas comissões municipais de agricultura. Ele terá à sua disposição toda a estrutura de recursos humanos disponíveis na empresa e os recursos financeiros e equipamentos disponíveis. Assim ele compatibilizará o quadro de técnicos com os recursos existentes para execução daquele processo.
Durante o desenvolvimento do programa, o coordenador estará frequentemente no campo, para acompanhamento junto com os técnicos locais. A empresa tem 1.400 funcionários, sendo 1.100 técnicos.
ComprometimentosNiederheitmann citou como exemplo o projeto Leite, desenvolvido pela Emater em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL). A meta estabelecida para esse projeto é aumentar em 20% a produtividade e a redução de 30% dos custos de produção na pecuária de leite, de Lobato, primeiro município onde o programa está sendo implantado. O projeto descobriu que os animais não são alimentados corretamente e por isso não produzem o suficiente para tornar as propriedades rentáveis.
A partir desse diagnóstico o processo tem um ano para apresentar os resultados. Nesse período, o coordenador do processo identificará os técnicos na localidade onde atenderão o projeto. Eles serão devidamente capacitados e terão os recursos e equipamentos necessários para viabilizar o projeto.
Da mesma forma serão desenvolvidos processos com grãos, café, Paraná 12 Meses, Vilas Rurais e outros produtos que poderão ser envolvidos em futuros programas determinados pela Seab. Assim, toda a estrutura da empresa será comprometida com os processos e a força de trabalho se dilui, eliminando a sobrecarga que pesava sobre o técnico local. Dentro dessa nova sistemática o técnico que mais entende de determinado assunto será deslocado para outras regiões, se houver necessidade.
‘‘O especialista em leite sairá de onde estiver, para dar cursos em outras regiões’’, exemplificou. Ao mesmo tempo em que a empresa firma seu compromisso com o cliente, valoriza o profissional da empresa pelo conhecimento adquirido, disse o presidente da Emater.
IndependênciaA redução da dependência financeira do Estado é outro objetivo da nova diretoria. Niederheitmann calcula que a gratuidade deverá atingir 50% dos produtores do Estado, que compõem um universo de 200 mil produtores, que não têm como pagar, admite. Para compensar o desembolso com esses produtores, avaliado em R$350,00 por ano por produtor, a Emater buscará receita com grandes clientes como prefeituras e cooperativas. ‘‘A quantia é irrisória, se for considerado que muito desse trabalho depende a fixação do homem no campo’’, justificou.
Atualmente os recursos próprios gerados pela empresa já constituem entre 10% e 15% dos custos, incluindo combustível, veículos, reposição de peças. A meta é atingir 18% dos custos ainda este ano e 12% da folha de pagamento, que é mantida 100% pelo Governo do Estado. Niederheitmann está convencido de que as prefeituras concordarão com o pagamento, porque representa um benefício para o desenvolvimento rural do município, sem arcar com nenhum custo de pessoal.
Atualmente a Emater está prestando assistência técnica para seis cooperativas no Estado e praticamente para todas as prefeituras, já que está presente em todos os municípios do Estado. Por isso precisa de recursos para manter o atendimento gratuito à população rural mais necessitada.
Nas cooperativas, a Emater está oferecendo cursos de capacitação técnica e acompanhamento dos engenheiros-agrônomos. Além da assistência técnica, a Emater poderá dar consultorias a nível industrial, com levantamentos e implantação de projetos técnicos para instalação de lavouras e criações que darão suporte técnico para a estrutura industrial.
O técnico organiza a comunidade, dá assistência, faz os projetos, capacita o agricultor e faz todo o acompanhamento. Ele está presente em todos os municípios do Estado. ‘‘A Emater é o braço do Governo do Estado, que chega bem na ponta’’, destacou o presidente da Emater.

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