Reestruturação moderniza a Emater
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de janeiro de 1999
Vânia Casado 
Além da modernização, a Emater, vinculada à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), deve empenhar-se em reduzir sua dependência financeira em relação ao Estado. O orçamento previsto para este ano é de R$82 milhões, e a ampliação dessa receita depende da cobrança dos serviços prestados a cooperativas, grandes produtores e demais órgãos públicos.
O presidente da Emater, Rubens Niederheitmann, assumiu o cargo recentemente e antecipou à Folha Rural algumas mudanças que estão em fase de implantação. Assumiram como diretor-técnico, o engenheiro-agrônomo e funcionário da empresa, José Geraldo Alves, e como diretor-administrativo o vice-prefeito de Campo Mourão, Márcio Fernando Nunes.
A estrutura hierárquica que predominava na empresa há 42 anos, desde que ela foi fundada, será totalmente eliminada. Em consequência, os técnicos que estão no escritório central, em Curitiba, vão dirigir-se ao campo, para conduzir os programas na ponta, junto com os técnicos locais e regionais. A falta de estrutura em algumas localidades será compensada com o deslocamento eventual de técnicos de uma região para outra. O cronograma antigo será substituído por processos, em que toda a estrutura, desde o escritório central até os locais, será concentrada na execução de projetos que serão definidos nos municípios e regiões.
LinhasDentro dessa reestruturação, a extensão rural terá como ponto de partida as três linhas definidas pela Seab: 1 - a profissionalização do produtor como forma de avançar no desenvolvimento rural; 2 - a sanidade pecuária, que permitirá a qualidade e a competitividade do produto agropecuário e a agroindustrialização, que dará prioridade às destinadas a permitir a agregação de renda ao produto agrícola.
Outro aspecto da reestruturação, é a redução do organograma. A estrutura anterior, com 11 cargos ocupados por cinco coordenadores, cinco gerências operacionais e uma chefia de gabinete, será reduzida para quatro cargos: três coordenadores e a chefia de gabinete. A distância entre o chefe local, no município, e a diretoria, em Curitiba, será encurtada em dois níveis com a eliminação da gerência operacional e dos coordenadores das GOs (gerências operacionais).
Com a estrutura atual foram reduzidos os niveis hierárquicos: diretoria, coordenador dos processos, chefia regional e chefia local. Pelo sistema de processo, como será direcionado o trabalho da Emater, o coordenador escolhido será um especialista na área. Ele vai trabalhar com resultados, estabelecidos pelas comissões municipais de agricultura. Ele terá à sua disposição toda a estrutura de recursos humanos disponíveis na empresa e os recursos financeiros e equipamentos disponíveis. Assim ele compatibilizará o quadro de técnicos com os recursos existentes para execução daquele processo.
Durante o desenvolvimento do programa, o coordenador estará frequentemente no campo, para acompanhamento junto com os técnicos locais. A empresa tem 1.400 funcionários, sendo 1.100 técnicos.
ComprometimentosNiederheitmann citou como exemplo o projeto Leite, desenvolvido pela Emater em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL). A meta estabelecida para esse projeto é aumentar em 20% a produtividade e a redução de 30% dos custos de produção na pecuária de leite, de Lobato, primeiro município onde o programa está sendo implantado. O projeto descobriu que os animais não são alimentados corretamente e por isso não produzem o suficiente para tornar as propriedades rentáveis.
A partir desse diagnóstico o processo tem um ano para apresentar os resultados. Nesse período, o coordenador do processo identificará os técnicos na localidade onde atenderão o projeto. Eles serão devidamente capacitados e terão os recursos e equipamentos necessários para viabilizar o projeto.
Da mesma forma serão desenvolvidos processos com grãos, café, Paraná 12 Meses, Vilas Rurais e outros produtos que poderão ser envolvidos em futuros programas determinados pela Seab. Assim, toda a estrutura da empresa será comprometida com os processos e a força de trabalho se dilui, eliminando a sobrecarga que pesava sobre o técnico local. Dentro dessa nova sistemática o técnico que mais entende de determinado assunto será deslocado para outras regiões, se houver necessidade.
O especialista em leite sairá de onde estiver, para dar cursos em outras regiões, exemplificou. Ao mesmo tempo em que a empresa firma seu compromisso com o cliente, valoriza o profissional da empresa pelo conhecimento adquirido, disse o presidente da Emater.
IndependênciaA redução da dependência financeira do Estado é outro objetivo da nova diretoria. Niederheitmann calcula que a gratuidade deverá atingir 50% dos produtores do Estado, que compõem um universo de 200 mil produtores, que não têm como pagar, admite. Para compensar o desembolso com esses produtores, avaliado em R$350,00 por ano por produtor, a Emater buscará receita com grandes clientes como prefeituras e cooperativas. A quantia é irrisória, se for considerado que muito desse trabalho depende a fixação do homem no campo, justificou.
Atualmente os recursos próprios gerados pela empresa já constituem entre 10% e 15% dos custos, incluindo combustível, veículos, reposição de peças. A meta é atingir 18% dos custos ainda este ano e 12% da folha de pagamento, que é mantida 100% pelo Governo do Estado. Niederheitmann está convencido de que as prefeituras concordarão com o pagamento, porque representa um benefício para o desenvolvimento rural do município, sem arcar com nenhum custo de pessoal.
Atualmente a Emater está prestando assistência técnica para seis cooperativas no Estado e praticamente para todas as prefeituras, já que está presente em todos os municípios do Estado. Por isso precisa de recursos para manter o atendimento gratuito à população rural mais necessitada.
Nas cooperativas, a Emater está oferecendo cursos de capacitação técnica e acompanhamento dos engenheiros-agrônomos. Além da assistência técnica, a Emater poderá dar consultorias a nível industrial, com levantamentos e implantação de projetos técnicos para instalação de lavouras e criações que darão suporte técnico para a estrutura industrial.
O técnico organiza a comunidade, dá assistência, faz os projetos, capacita o agricultor e faz todo o acompanhamento. Ele está presente em todos os municípios do Estado. A Emater é o braço do Governo do Estado, que chega bem na ponta, destacou o presidente da Emater.


