Um projeto desenvolvido no Norte do Paraná poderá auxiliar na redução de uso de agrotóxicos na cultura de olerícolas, entre elas o tomate, famoso por carregar durante sua safra grande volume de aplicações.
O trabalho, resultado de parcerias entre iniciativa privada e oficial, começou há um ano e reúnce 80 produtores de: Marilândia do Sul, São Jerônimo da Serra, Reserva, Faxinal, Leópolis, Uraí e Santo Antônio do Paraíso.
O Norte do Paraná tem uma área de 1.540 ha de tomate, expressiva no Estado, já que concentra 60% de toda a produção paranaense que soma plantio de 2.600 hectares. São 1.744 produtores com uma renda anual de R$ 25 milhões em duas safras. A cultura também é responsável pela geração de 2.500 empregos.
''Por ser uma cultura de importância social e econômica e com características de ser considerada campeã no uso de agrotóxicos, estamos trabalhando com ênfase no tomate, mas o projeto também inclui outras olerículas e frutas, como uva e citros,'' conta o técnico da Emater Paulo Hidalgo.
O tomate, historicamente, segundo Hidalgo, não é uma cultura simples de produzir, sem uso de agrotóxicos, mas é possível com manejo integrado de pragas e doenças, reduzir muito o número atual de aplicações da cultura.
Parte do projeto foi apresentado por Paulo Hidalgo, numa palestra na última terça-feira durante a Exposição de Londrina. Segundo Hidalgo hoje a cultura do tomate recebe, em média, de 50 a 60 aplicações de agrotóxicos em quatro meses de cultivo. Com o trabalho de manejo é possível reduzir para 35 ou até 28 aplicações, o que depende também de uso de produtos seletivos na lavoura.
Além de um produto mais saudável, com menos resíduos, as tecnologias apresentadas, de acordo com o técnico, representam segurança para o produtor, por ter menor contato com agrotóxicos, e para o consumidor, que poderá consumir um tomate livre de resíduos.
Vender a idéia para um grupo maior de produtores é objetivo a médio prazo, enumera o técnico. Em todo o Paraná a adoção desse manejo representaria apenas no Norte do Paraná, uma redução de 195 mil quilos de agrotóxicos nos produtos, na terra, enfim, no meio-ambiente. ''Só para se ter uma idéia esse volume daria para encher sete carretas.''
''Queremos conscientizar os agricultores para uma aplicação racional, com uso de produtos seletivos, monitoramento de pragas e doenças e melhorar tecnologias de aplicação para sustentar esse manejo de pragas, obtendo os mesmos resultados em produtividade,'' explica Hidalgo.
Hoje, segundo ele, os produtores adotam um manejo irracional, fazem até calendários de aplicação e na maioria das vezes gastam mais do que o necessário. Quando chove, por exemplo, chegam a fazer duas aplicações por semana.
O projeto reúne, além de técnicos da Emater, agrônomos da Syngenta, empresa que fabrica produtos seletivos para a cultura do tomate, e Federação da Agricultura do Estado do Paraná pelo projeto Hortiqualidade.
Só em uma das propriedades depois da implantação houve redução de 126 kg a menos de agrotóxicos por hectare. Extrapolando para a área de cultivo em todo o Norte do Paraná, significaria 195 mil kg/ano.

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