Marcos Silveira Wrege, da equipe de agrometeorologia do IaparPara o plantio da próxima safra de trigo o produtor tem à sua disposição um novo instrumento para reduzir perdas e alcançar o potencial de rendimento das cultivares. A previsão de plantio de trigo no Estado é manter a mesma área do ano passado, de 900 a 950 mil hectares. E manter a mesma área é um fator positivo, para uma cultura que nos últimos anos só vinha perdendo terreno para outras lavouras, avalia o pesquisador de Embrapa Soja, Sérgio Roberto Dotto.
Segundo o pesquisador, o produtor vai continuar plantando, porque está mais confiante na estabilização das regras de comercialização, os preços estão relativamente bons, há disponibilidade de sementes de boas cultivares. ‘‘O que todos esperamos agora é que o crédito seja liberado a tempo, para não atrasar o plantio, principalmente na região Norte do Estado, onde o produtor começa a plantar mais cedo, já no início de março’’, comenta Dotto. Três milhões de sacas de sementes, volume um pouco maior que o do ano passado, estão prontos para comercialização. As principais variedades a serem plantadas são OR1; Iapar 53; BR 18; Ocepar 16 e Ocepar 22.
RecomendaçõesO pesquisador Dionísio Brunetta, da Embrapa Soja, comenta que, além dessas principais variedades, existem 27 cultivares recomendadas para o Estado. ‘‘Com esta boa oferta, o produtor deve optar por plantar variedades diferentes, mesmo que seja na mesma área, para evitar problemas de doenças’’, alerta.
A diversificação de variedades, inclusive de ciclos diferentes, estabelece um certo equilíbrio nas lavouras, impedindo que pragas e doenças se desenvolvam em larga escala. ‘‘Se o produtor for plantar uma pequena área que não justifique o uso de duas variedades, a sugestão é que se informe sobre o que o vizinho vai plantar, para não usar a mesma’’, diz Brunetta.
Para as regiões mais chuvosas do Estado, o Centro-Oeste e o Sul, a recomendação é que o produtor faça rotação de culturas, para eliminar o risco da mancha-amarela. Não se deve plantar trigo na mesma área de trigo do ano passado.
A outra recomendação é que o produtor siga corretamente a nova regionalização da época de semeadura. O trigo é considerado uma cultura de alto risco devido ao período em que é cultivado, mas o pesquisador Dionísio Brunetta lembra que ‘‘toda cultura de inverno é de risco’’. ‘‘O grande mérito desta regionalização da época de semeadura - esclarece - é justamente reduzir ao máximo as possíveis perdas provocadas pelos efeitos do clima sobre as lavouras.
Cesar AugustoPara Sérgio Luiz Gonçalves a regionalização foi bem aceita pelos vários segmentos como produtores, bancos e cooperativas
MapeamentoO novo mapeamento foi realizado pela equipe de agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e divide o Paraná em nove zonas tritícolas, duas a mais do que a divisão anterior. Segundo os pesquisadores Sérgio Luiz Gonçalves e Marcos Silveira Wrege, do Iapar, o aperfeiçoamento da regionalização da época de semeadura foi feito durante um ano de trabalho, com levantamento de dados junto às 32 estações de meteorologia do Iapar espalhadas pelo Estado, e utilização de séries históricas dos últimos 30 anos.
O primeiro zoneamento feito com o objetivo de orientar os produtores foi lançado em 96, e apresentou algumas falhas, com a determinação de períodos curtos de plantio e considerava o déficit hídrico um dos principais fatores. Mas, segundo o pesquisador Sérgio, no Paraná a chuva não é tão importante para sucesso das lavouras de trigo quanto é o risco de geada. ‘‘Do excesso de chuva na colheita o produtor pode escapar com variedades resistentes à germinação na espiga, mas da geada é difícil escapar’’, diz Gonçalves. Em 97 houve algumas adaptações e agora em 98 saiu o novo mapa, mais completo considerando as probabilidades de geadas no florescimento, a deficiência hídrica no florescimento, o estabelecimento da cultura e o excesso de chuva na colheita.
O estudo identifica as regiões homogêneas em termos de clima, relevo e altitude. Cruzando todos os dados disponíveis foi possível definir a época mais oportuna para o plantio. Um programa computadorizado calcula a probabilidade de geada a cada dez dias, reduzindo ao máximo a possibilidade de perdas para o produtor que seguir corretamente a recomendação.
Este trabalho faz parte de um amplo Projeto de Redução de Riscos Climáticos na Agricultura, elaborado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, e foi feito também para outra culturas como feijão, milho e algodão. Atualmente o Iapar está começando a trabalhar com as culturas do café e arroz. Os primeiros resultados já podem ser sentidos, com a redução de solicitação do Proagro. ‘‘Nos dois últimos anos o Proagro não deu prejuízos aos cofres públicos. Antigamente o produtor plantava em qualquer época e o Governo bancava o seguro; agora quem quiser correr riscos vai ter que plantar com recursos próprios’’, destaca Gonçalves.
MercadoO pesquisador Sérgio Dotto comenta que a tendência para o futuro na cultura do trigo é a produção tipificada, ou seja, a produção sob encomenda. ‘‘O moinho já acerta antecipadamente com o produtor que tipo de trigo e quanto ele precisa. Se é de trigo comum, intemediário ou superior’’. O Norte do Estado, por exemplo, produz um trigo de glúten forte, bastante procurado pelos moinhos. Já o Sudoeste tem características para produzir o trigo tipo intermediário, que também é procurado para compor certas misturas.
Atualmente tem faltado o trigo intermediário, porque a maioria dos produtores estão plantando só o trigo superior, e o trigo importado também é quase todo de qualidade superior. ‘‘A produção do intermediário é importante, porque este tipo é necessário para a mistura na fabricação de certos produtos. Muitos moinhos já fornecem para as padarias uma farinha pré-misturada para a fabricação do pão francês, um dos mais consumidos’’.

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