Redução de risco para o trigo
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 1998
Cristina Côrtes 
Marcos Silveira Wrege, da equipe de agrometeorologia do IaparPara o plantio da próxima safra de trigo o produtor tem à sua disposição um novo instrumento para reduzir perdas e alcançar o potencial de rendimento das cultivares. A previsão de plantio de trigo no Estado é manter a mesma área do ano passado, de 900 a 950 mil hectares. E manter a mesma área é um fator positivo, para uma cultura que nos últimos anos só vinha perdendo terreno para outras lavouras, avalia o pesquisador de Embrapa Soja, Sérgio Roberto Dotto.
Segundo o pesquisador, o produtor vai continuar plantando, porque está mais confiante na estabilização das regras de comercialização, os preços estão relativamente bons, há disponibilidade de sementes de boas cultivares. O que todos esperamos agora é que o crédito seja liberado a tempo, para não atrasar o plantio, principalmente na região Norte do Estado, onde o produtor começa a plantar mais cedo, já no início de março, comenta Dotto. Três milhões de sacas de sementes, volume um pouco maior que o do ano passado, estão prontos para comercialização. As principais variedades a serem plantadas são OR1; Iapar 53; BR 18; Ocepar 16 e Ocepar 22.
RecomendaçõesO pesquisador Dionísio Brunetta, da Embrapa Soja, comenta que, além dessas principais variedades, existem 27 cultivares recomendadas para o Estado. Com esta boa oferta, o produtor deve optar por plantar variedades diferentes, mesmo que seja na mesma área, para evitar problemas de doenças, alerta.
A diversificação de variedades, inclusive de ciclos diferentes, estabelece um certo equilíbrio nas lavouras, impedindo que pragas e doenças se desenvolvam em larga escala. Se o produtor for plantar uma pequena área que não justifique o uso de duas variedades, a sugestão é que se informe sobre o que o vizinho vai plantar, para não usar a mesma, diz Brunetta.
Para as regiões mais chuvosas do Estado, o Centro-Oeste e o Sul, a recomendação é que o produtor faça rotação de culturas, para eliminar o risco da mancha-amarela. Não se deve plantar trigo na mesma área de trigo do ano passado.
A outra recomendação é que o produtor siga corretamente a nova regionalização da época de semeadura. O trigo é considerado uma cultura de alto risco devido ao período em que é cultivado, mas o pesquisador Dionísio Brunetta lembra que toda cultura de inverno é de risco. O grande mérito desta regionalização da época de semeadura - esclarece - é justamente reduzir ao máximo as possíveis perdas provocadas pelos efeitos do clima sobre as lavouras.
Cesar AugustoPara Sérgio Luiz Gonçalves a regionalização foi bem aceita pelos vários segmentos como produtores, bancos e cooperativas
MapeamentoO novo mapeamento foi realizado pela equipe de agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e divide o Paraná em nove zonas tritícolas, duas a mais do que a divisão anterior. Segundo os pesquisadores Sérgio Luiz Gonçalves e Marcos Silveira Wrege, do Iapar, o aperfeiçoamento da regionalização da época de semeadura foi feito durante um ano de trabalho, com levantamento de dados junto às 32 estações de meteorologia do Iapar espalhadas pelo Estado, e utilização de séries históricas dos últimos 30 anos.
O primeiro zoneamento feito com o objetivo de orientar os produtores foi lançado em 96, e apresentou algumas falhas, com a determinação de períodos curtos de plantio e considerava o déficit hídrico um dos principais fatores. Mas, segundo o pesquisador Sérgio, no Paraná a chuva não é tão importante para sucesso das lavouras de trigo quanto é o risco de geada. Do excesso de chuva na colheita o produtor pode escapar com variedades resistentes à germinação na espiga, mas da geada é difícil escapar, diz Gonçalves. Em 97 houve algumas adaptações e agora em 98 saiu o novo mapa, mais completo considerando as probabilidades de geadas no florescimento, a deficiência hídrica no florescimento, o estabelecimento da cultura e o excesso de chuva na colheita.
O estudo identifica as regiões homogêneas em termos de clima, relevo e altitude. Cruzando todos os dados disponíveis foi possível definir a época mais oportuna para o plantio. Um programa computadorizado calcula a probabilidade de geada a cada dez dias, reduzindo ao máximo a possibilidade de perdas para o produtor que seguir corretamente a recomendação.
Este trabalho faz parte de um amplo Projeto de Redução de Riscos Climáticos na Agricultura, elaborado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, e foi feito também para outra culturas como feijão, milho e algodão. Atualmente o Iapar está começando a trabalhar com as culturas do café e arroz. Os primeiros resultados já podem ser sentidos, com a redução de solicitação do Proagro. Nos dois últimos anos o Proagro não deu prejuízos aos cofres públicos. Antigamente o produtor plantava em qualquer época e o Governo bancava o seguro; agora quem quiser correr riscos vai ter que plantar com recursos próprios, destaca Gonçalves.
MercadoO pesquisador Sérgio Dotto comenta que a tendência para o futuro na cultura do trigo é a produção tipificada, ou seja, a produção sob encomenda. O moinho já acerta antecipadamente com o produtor que tipo de trigo e quanto ele precisa. Se é de trigo comum, intemediário ou superior. O Norte do Estado, por exemplo, produz um trigo de glúten forte, bastante procurado pelos moinhos. Já o Sudoeste tem características para produzir o trigo tipo intermediário, que também é procurado para compor certas misturas.
Atualmente tem faltado o trigo intermediário, porque a maioria dos produtores estão plantando só o trigo superior, e o trigo importado também é quase todo de qualidade superior. A produção do intermediário é importante, porque este tipo é necessário para a mistura na fabricação de certos produtos. Muitos moinhos já fornecem para as padarias uma farinha pré-misturada para a fabricação do pão francês, um dos mais consumidos.


