O preço médio, no atacado, do feijão carioquinha saiu de R$ 64,00 a saca no dia 2 de janeiro para R$ 107,00 no dia 23 de dezembro de 2002, um aumento de 67,19% na média de 12 meses. E não parou de subir, mesmo em plena colheita, como agora.
Mas, que colheita? - perguntam corretores de Curitiba e Apucarana. O feijão está desaparecendo das zonas tradicionais. No Sudoeste do Paraná a redução este ano foi 80%; nas regiões Central e Sul, houve quebra de 50%; nas demais regiões do Paraná, com exceção de alguns municípios do Norte Pioneiro, a produção ocupa pouco lugar nas estatísticas. Os cerealistas incluem ainda o Oeste de Santa Catarina onde menos da metade dos agricultores permanece na cultura. Quem não trocou o feijão pela soja, não resistiu ao forte incentivo que a Souza Cruz destinou ao fumo, nem aos bons preços do milho.
A redução agravou-se nos últimos três anos. Órgãos do governo não confirmam queda tão acentuada, mas admitem que a área de feijão tem oscilado muito.
Preços em 2003 - O corretor Cícero Luiz Malucelli, de Curitiba, e o consultor de mercado, Marcelo Eduardo Ludder, também de Curitiba, acham que a escassez de feijão no Paraná deve manter os preços altos durante todo o ano de 2003. E defendem uma política de incentivo, do contrário poucos produtores permanecerão na atividade.
Ambos criticam os dados oficiais que, segundo eles, escamoteiam a realidade estatística de feijão. A falta de dados confiáveis prejudica o produtor, o empacotador e a ponta final da cadeia, o consumidor.
Enquanto no Paraná desapareceram dezenas de empresas cerealistas, em Santa Catarina, a redução de área de feijão pode ser medida pelo volume recebido pela Cooperalfa, na região Oeste. Três anos atrás, ela recebeu 300 mil sacas mas este ano não deve passar de 20 mil sacas, segundo Malucelli. E o número de associados caiu de 20 mil, nos anos 90, para cerca de 8 mil associados atualmente, conforme a mesma fonte.
No Paraná ainda permanece estável a produção de feijão preto, ao Sul do Estado, mas em termos de feijão carioca, o Estado já não desequilibra o mercado nos grandes centros, como antigamente.
Apesar das boas oportunidades de mercado no momento, o feijão é cultura de risco - no campo e na comercialização. Para a recuperação da sua posição de grande produtor, o Paraná precisa diversificar sua produção. Para Marcelo Eduardo Ludder, o produtor, deve plantar mais que uma variedade ou tipo. É preciso plantar o carioquinha, o vermelho e o Iapar, e não esquecer de incluir o feijão do grupo rajado, que pode ser exportado, em caso de uma crise de excesso de produção no mercado interno.
O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura vai divulgar nova previsão de safra na próxima semana. Embora os técnicos do governo garantam que os dados vão ser corrigidos para baixo - pois a redução de área é bem maior do que sugeriam as estimativas do ano passado -, os novos números da redução devem continuar abaixo dos valores apontados pelos comerciantes.

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