Redes de Referência impulsionam agricultura familiar
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sexta-feira, 19 de maio de 2006
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
O desafio de fazer da agricultura familiar uma atividade sustentável e que garantisse qualidade de vida a seus dependentes originou, há oito anos, um dos programas mais ousados da Emater: as Redes de Referência. Junto com pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), os extensionistas vêm acompanhando ao longo desse tempo cerca de 200 pequenas propriedades e gerando, através delas, modelos de desenvolvimento para todo o Estado.
O trabalho começa com a seleção de propriedades representativas de determinados sistemas de produção, passa por um diagnóstico detalhado das mesmas e chega à fase de planejamento, orientação e acompanhamento. Um dos diferenciais da proposta é a análise das propriedades como um todo, ao invés de problemas isolados. Isso inclui desde os recursos naturais disponíveis até questões sociais, como a sucessão dentro da família.
Alguns resultados do programa em todas as regiões contempladas puderam ser observados em novembro do ano passado, durante uma maratona de visitas a propriedades das Redes, que envolveu todos os técnicos participantes. A Folha acompanhou e pôde testemunhar conquistas significativas, como a conscientização dos agricultores sobre a necessidade de controlar gastos, lucros e demais dados sobre a produção; a adoção de novas tecnologias; o aprimoramento dos pequenos produtores; a industrialização de matéria-prima, agregando valor; e a permanência dos jovens no campo.
''Como em todo trabalho pioneiro, a gente paga o preço da aprendizagem. Mas hoje nós estamos dominando essa metodologia de ter uma visão do todo e exercitando um trabalho em que cada família passa a ser um nó da rede'', assinala Sérgio Luiz Carneiro, da Emater-Londrina, coordenador das Redes na região norte. Com a ''confiança adquirida'', diz Carneiro, o programa está avançando agora para ''propostas mais ousadas''.
Ele se refere à inclusão de comunidades pobres, um passo inédito no programa. As futuras propriedades a compor as Redes estão sendo selecionadas através de um levantamento na região, incluindo cidades como Tamarana, Florestópolis e Porecatu. ''As novas famílias assistidas terão a oportunidade de saber o que estão fazendo de bom, pegar experiências bem-sucedidas de gente que está aí há 20 anos e assim tentar superar as dificuldades'', explica.
Sobra entusiasmo, mas falta pessoal para expandir ainda mais uma idéia que provou dar certo. Em todo o Estado, o programa conta com onze extensionistas da Emater responsáveis, cada um, por pelo menos 20 propriedades. O número de pesquisadores do Iapar diretamente envolvidos não chega a cinco. Mas assim como os pequenos agricultores que enfrentam toda espécie de obstáculo para permanecer com dignidade no campo, os profissionais das Redes não desistem da luta.


