Recurso escasso
O professor Valmir de França, diretor do Núcleo de Estudos do Meio Ambiente (NEMA) da UEL, salienta que chamar a Terra de planeta água é um equívoco. Se fosse possível colocar toda a água da Terra em uma garrafa, a quantidade de líquido potável disponível representaria apenas uma gota, comparou. O Brasil é privilegiado nesse contexto, pois detém 19% da água não oceânica do planeta. O problema é que nossa água é extremamente contaminada.
Entre as causas da contaminação, ele cita o uso de agrotóxicos e a falta de saneamento básico, além da pouca consciência das pessoas sobre a necessidade de preservação. Por isso, considera que investir na divulgação de informações sobre o uso racional da água é um dos requisitos básicos para o sucesso de um plano de gestão dos recursos hídricos. É preciso ensinar, por exemplo, que detritos e lixo jogados na rua acabam chegando mais cedo ou mais tarde aos rios.
As políticas públicas também deveriam privilegiar essa questão. Nos países em desenvolvimento, oito milhões de crianças morrem anualmente por falta de saneamento básico. Isso é responsabilidade do poder público, mas os políticos não querem investir em obras que o eleitor não vê, criticou.
Ele lembra ainda que a disponibilidade de água não é a mesma em todas as regiões do Globo. Em países como a Líbia, por exemplo, onde o recurso é escasso, cada pessoa consome cinco litros de água por dia. Já em Nova York, nos Estados Unidos, o consumo diário é de 500 litros por pessoa. É um grande desperdício, afirmou. Em Londrina, cada pessoa consome de 126 a 200 litros diários. Está dentro do aceitável, comentou.





