O milheto é apontado ainda como opção para a recuperação de pastagens degradadas. No Brasil, segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Armindo Kichel, de Campo Grande (MS), há 100 milhões de hectares de pastos cultivados. Desse total, 80 milhões estão degradados. ''Noventa por cento da pecuária nacional passa fome'', garante. As consequências estão em uma pecuária pouco lucrativa e com abates tardios que, além do lucro, derruba também a qualidade da carne produzida.
Para o pesquisador, além da péssima qualidade dos pastos, as forrageiras tropicais não oferecem os valores nutricionais necessários para uma eficiente exploração do potencial dos animais. ''O principal item da pecuária é a qualidade da forrageira, o restante é acessório inclusive a genética'', afirma.
O milheto, segundo Kichel, pode melhorar a oferta das pastagens nos períodos da primavera até o outono, deixando as gramíneas tropicais para o período do inverno. ''É preciso o planejamento e o gerenciamento da pecuária'', reforça.
Kirchel destaca que o uso do milheto é indicado para o período de recria e engorda dos animais de corte, diminuindo o tempo de pastejo e melhorando o ganho de peso. Essa redução segundo ele é possível pela boa oferta de proteínas oferecida pela planta (de 20% a 24%). ''O milheto facilita a produção do novilho precoce'', garante.
De acordo com o pesquisador, ''o ganho de peso/dia no pastejo do milheto é de 900g a 1 quilo/dia, enquanto as pastagens tropicais permitem ganhos variando entre 500g a 600g/dia''. No final do ciclo de 4 meses de engorda, o animal terá adquirido de 10 a 12 arroubas de carne. Após esse período, Kirchel sugere o tratamento confinado do animal por 30 a 60 dias. ''É só para terminar a engorda. Colocar a capa de gordura que o mercado exige'', resume. Além do peso, a eficiência nutricional do milheto, permite o aumento no número de bezerros. ''O alto índice de proteínas favorece a precocidade sexual e, assim, um número maior de prenhez'', explica. (C.G.)

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