Recorde histórico pode reduzir importações
Caso a produção de trigo atinja 3,9 milhões de toneladas no Paraná, as cooperativas do Estado devem receber algo em torno de 2,92 milhões de toneladas, ou 75% do montante total. Os números são da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).
Para o analista técnico e econômico da entidade, Robson Mafioletti, o produtor optou pelo trigo nesta safra "nem tanto pela rentabilidade da cultura, mas pelos baixos preços na comercialização da saca de milho no final do ano passado". "Em outubro, quando os produtores escolheram os insumos, o milho estava sendo comercializado a R$ 18 a saca e, por isso, eles acabaram migrando para o trigo."
Na época, o preço da saca de trigo era comercializado a R$ 48. Hoje, o valor gira em torno de R$ 42, cobrindo os custos operacionais de produção, que ficam entre R$ 38 e R$ 39. "Em relação à qualidade do produto, hoje estamos nos mesmos patamares dos nossos concorrentes da América do Sul, como Argentina, Paraguai e Uruguai. Com base no que aconteceu no mercado nos últimos anos, os produtores agora trabalham com cultivares que aliam produtividade à qualidade", explica Mafioletti.
Na opinião do analista, é extremamente importante que a produção seja significativa no Estado, batendo o recorde histórico. Isso porque as importações da commodity de outros países cresce ano após ano. De acordo com números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em 2007, as importações giravam na ordem de US$ 1,6 bilhão, contra US$ 2,5 bilhão no ano passado, uma alta de investimentos na ordem de 56%. Até o dia 31 de abril deste ano, US$ 682 milhões já haviam sido gastos com importações. "São 7 milhões de toneladas trazidas de outros países anualmente. O produtor está animado com a produção e precisamos mudar este jogo", completa Mafioletti. (V.L.)






