Recorde histórico
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sábado, 18 de dezembro de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
A cadeia produtiva do leite superou o medo de crescer. De uma fase de grande importador, o Brasil ampliou seu parque industrial e passou a investir na produção de qualidade, conquistando os mercados da África, Oriente Médio e Américas Central e do Sul.
Medidas protecionistas adotadas a partir de 2000 garantiram o escoamento do excedente de produção e com isso, melhores preços aos produtores. Isso porque o governo definiu uma sobretaxa aos produtos vindos da Comunidade Européia e preço mínimo aos derivados importados da Argentina e do Uruguai.
A próxima meta para a exportação é eliminar as barreiras sanitárias que ainda impedem a comercialização dos lácteos brasileiros no México e Costa Rica. Aumentar a capacidade de secagem e promover campanhas para o aumento do consumo de leite no País podem incrementar ainda mais o saldo positivo da balança comercial, que experimentou a maior redução no déficit da história: de US$ 49,5 milhões, em 2003, para US$ 4,9 milhões até setembro deste ano.
Segundo a engenheira agrônoma do departamento técnico e econômico da
Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Maria Silvia Digiovani, com o incremento das exportações, acabou a história da queda de preços em função da grande oferta de produto no mercado.
Só nos primeiros oito meses de 2004 o setor exportou US$ 49 milhões, com destaque para leite em pó, leite condensado e queijo. Ainda no primeiro trimestre, a produção brasileira experimentou um aumento de 2,8% em relação ao mesmo período de 2003 e o consumo interno subiu para 130 litros/habitante/ano.
A cadeia do leite envolveu mais de 95 mil produtores este ano e a produtividade média diária girou em torno de 171 litros. Minas Gerais continuou sendo destaque, responsável por 29,2% da produção nacional. Goiás seguiu em segundo lugar, com 11,3%, e o Rio Grande do Sul foi o terceiro maior produtor, com um índice de 10,8%.
São Paulo e Rio de Janeiro foram os principais importadores de leite, enquanto Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Rondônia exportaram grande parte da produção. Segundo informações do Conseleite, os estados do Sul do País são os que mais apresentam potencial de crescimento produtivo.
Preços A última reunião do Conseleite deste ano apontou estabilidade no preço de referência para a comercialização do leite padrão no Paraná.
O valor indicado para a remuneração do leite padrão em dezembro é de R$ 0,4741/litro, enquanto o preço do leite acima do padrão foi estimado em R$ 0,5452/litro. Já para o leite abaixo do padrão, com menor valor de referência, a cotação é de R$ 0,4310/litro.
Segundo Maria Silvia, a razão é o bom desempenho das exportações. ''A estimativa é exportar US$ 80 milhões este ano'', calculou.
Em contrapartida, as importações devem atingir a cifra de US$ 61,5 milhões. A agrônoma lembra que em 1995 - pico da importação de leite pelo Brasil - o País comprou US$ 610 milhões em lácteos. ''Estamos vivendo um bom momento. Pela primeira vez na história a balança do leite terá superávit'', comemorou.
Apesar de ser época de safra, não há sobra de leite no mercado. De acordo com Maria Silvia, algumas empresas têm contratos de exportação até março do ano que vem, por isso estão comprando toda a produção. ''O segmento tem mostrado força e profissionalismo e a expectativa para 2005 é bastante otimista'', finalizou.


