Concebido para reestruturar e capitalizar as cooperativas, o Programa de Revitalização de Cooperativas de Produção Agropecuária (Recoop) não atende, na prática, o objetivo de injetar recursos para promover o desenvolvimento auto-sustentado dessas instituições, repetindo falhas de programas implementados anteriormente.
A opinião é de Juacir João Wischneski, gerente de desenvolvimento cooperativo da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). Ele afirmou que quatro anos após a idealização do Recoop pelo Governo Federal, observa-se que a maioria das instituições financeiras envolvidas buscaram solucionar, em primeiro lugar, seus próprios problemas de liquidez, refinanciando dívidas em vez de fomentar o crescimento das cooperativas.
‘‘Inicialmente, os bancos buscaram alongar o perfil dos créditos já concedidos, com absurdos reforços das garantias, para secundariamente analisar eventuais e tênues liberações de recursos destinados à revitalização’’, afirmou.
EndividamentoDe acordo com a Ocepar, o Recoop foi instituído para sanear as dívidas das cooperativas consideradas viáveis, mas também injetar recursos para torná-las mais competitivas. O endividamento, segundo a assessoria de imprensa da instituição, é consequência do Plano Real.
Durante a implementação desse plano, o preço dos produtos agropecuários foram congelados enquanto as linhas de financiamento agrícola foram corrigidas em até 50%, o que inviabilizou o pagamento das dívidas e tirou o fôlego do setor. Outro agravante foi a renegociação de dívidas dos agricultores, até R$ 200 mil, via securitização. Como muitos deles tinham sido financiados pelas cooperativas, passaram a dever para as associações.
Conforme a Ocepar, a implementação do Recoop foi uma contrapartida do Governo Federal para minimizar os efeitos da política econômica. O problema é que os bancos, segundo Wischneski, privilegiam a liberação de recursos para alongamento das dívidas, em detrimento dos projetos de investimentos apresentados.
O setor considera, porém, que apenas o pagamento de dívidas não é suficiente para retomar o desenvolvimento, seria necessário liberar recursos para capitalizar as cooperativas, tornando-as competitivas.‘‘A única excessão é o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), que vem apoiando com muita ênfase os projetos de novos investimentos’’, disse.
NúmerosWischneski informou que quando o programa foi lançado, em 1998, 50 cooperativas do Paraná encaminharam cartas consulta pleiteando o crédito. Quarenta delas foram acatadas e no final, 37 cooperativas apresentaram projetos e obtiveram aprovação.
O pedido total do Estado foi de R$ 956 milhões. Desse volume, R$ 220 milhões eram para investimentos, R$ 123 milhões para capital de giro e R$ 613 milhões para alongamento de dívidas já contraídas. Segundo o gerente, as instituições financeiras envolvidas no programa liberaram, até agora, 53,55% do montante pleiteado, beneficiando 33 cooperativas.
O crédito foi concedido integralmente para 11 cooperativas e parcialmente para as 22 restantes. O valor totaliza R$ 512 milhões obtidos através do Recoop e de fontes como o Programa Especial de Saneamento de Ativos (PESA) e securitização, entre outros, que foram escolhidos por algumas cooperativas durante o desenvolvimento do processo, por se configurarem como melhor opção. Quem participaPuderam solicitar o empréstimo apenas cooperativas de produção agropecuária que apresentaram cartas consulta ao comitê executivo do Recoop e obtiveram aprovação.
É permitido destinar o crédito para pagamento de dívidas, alongamento de empréstimos bancários, financiamento de recebíveis de cooperados, capital de giro voltado para o foco principal de atividade da cooperativa, investimentos e financiamento da compra de títulos públicos federais para o fim exclusivo de substituição de garantia de crédito no âmbito do programa.
O prazo final estabelecido para contratação do Recoop junto às instituições financeiras, pelas cooperativas que apresentaram carta consulta na fase inicial do programa, era 30 de junho de 2001. Porém, como não foram obtidos todos os recursos pleiteados, o prazo foi estendido para 28 de dezembro de 2001.

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