Depois de 10 anos trabalhando no Japão, Minoru Matsuda voltou ao Brasil com uma nova visão sobre meio ambiente e iniciou o reflorestamento e preservação da propriedade rural herdada dos pais e que havia sido abandonada pela família. Nos últimos dois anos começou o plantio de árvores para recompor a mata ciliar e hoje já tem quase 1 alqueire com árvores de madeira nobre como a peroba, frutíferas e exóticas.
‘‘No Japão eu pude perceber a importância do verde. Lá eles preservam e valorizam cada pedacinho e terra, cada planta’’, comenta Matsuda. O sítio dos Matsuda tem aproximadamente 10 alqueires e fica entre os municípios de Jaguapitã e Miraselva, no norte do Estado. Pertence à família há quase 50 anos. Alí os pais de Minoru plantavam café, soja, algodão. Com as dificuldades da atividade agrícola, os filhos resolveram fazer outras coisas e abandonaram o sítio. Agora, pensam em recompor o ambiente original e quem sabe explorar futuramente o turismo rural.
RecantoO lugar já recebeu um novo nome ‘‘Recanto Matsuda’’ e aos poucos os dois irmãos Matsuda estão reconstituindo a mata. Eles mesmos é quem fazem o serviço. O riacho que passa na propridade é o Uruguaiana. Nas proximidades foram escavados dois tanques grandes e mais 4 pequenos, onde criam várias espécies de peixes. ‘‘Recebemos visitas constantes de amigos e familiares que vêm aqui em busca de um pouco de lazer diferetente da cidade’’.
Minoru conta que desde que começaram a reconstituição, inclusive com o plantio de frutíferas, os animais também estão voltando. Já encontramos tatu, lontra, pomba verdadeira, maritacas, pássaros diversos e até macacos. ‘‘De vez em quando penduro pencas de banana entre as árvores para atraí-los’’, comenta Minoru.
A recomposição da mata está sendo feita aleatoriamente. Minoru comenta que vai plantando intuitivamente, comprando mudas, às vezes ganhando. ‘‘O que eu quero ver é esta mata crescer e vou ampliar mais uns dois alqueires’’, conta. Foram plantadas mudas de peroba, arueira, palmeira imperial, jatoba, cedro, mogno e frutíferas como cajá, fruta-pão, cambuci, atemóia, mangostim, cupuaçu, cacau, jambo... Uma das espécies mais plantadas na área é o palmito.‘‘ Plantamos aproximadamente 1500 mudas, mas elas ainda precisam de mais sombra da mata para poder se desenvolver mais rápido’’, explica Minoru.
EducaçãoSegundo o secretario municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Miraselva, José Roberto Bueno, a iniciativa dos Matsuda é um exemplo que deve ser seguido por outros produtores. ‘‘Estamos ajudando e incentivando o trabalho. Temos também promovido visitas de crianças das escolas públicas para conhecer a mata em formação’’, informa Bueno.
Normalmente os produtores somente fazem o reflorestamento quando são obrigados por lei, e reclamam que perdem estas áreas que poderiam ser exploradas com cultivo.‘‘ Dependendo das características da propriedade, por exemplo, uma que tem ao seu longo um riacho, a área a ser conservada por lei (50 m da margem), vai pegar uma faixa grande. Temos um caso na região, em que quase 50% da propriedade tem que ser protegida’’, conta Bueno. Para estes casos, o secretario acha que o governo deveria dar um tipo de incentivo como o desconto de pagamento de imposto sobre estas áreas.
Os Matsuda descobriram a importância da preservação depois que sairam do país, e Bueno comenta que tomara não seja preciso que outros proprietários de áreas rurais tenham que sair do Brasil para entender o quanto é importante preservar o meio ambiente. ‘‘Daqui para frente a conscientização dos produtores e de todos, de maneira geral, é fundamental. Pensando no futuro levamos as crianças para conhecer o trabalho’’, diz.

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