Recompondo a mata ciliar original
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de dezembro de 2000
Cristina Côrtes De Londrina 
Depois de 10 anos trabalhando no Japão, Minoru Matsuda voltou ao Brasil com uma nova visão sobre meio ambiente e iniciou o reflorestamento e preservação da propriedade rural herdada dos pais e que havia sido abandonada pela família. Nos últimos dois anos começou o plantio de árvores para recompor a mata ciliar e hoje já tem quase 1 alqueire com árvores de madeira nobre como a peroba, frutíferas e exóticas.
No Japão eu pude perceber a importância do verde. Lá eles preservam e valorizam cada pedacinho e terra, cada planta, comenta Matsuda. O sítio dos Matsuda tem aproximadamente 10 alqueires e fica entre os municípios de Jaguapitã e Miraselva, no norte do Estado. Pertence à família há quase 50 anos. Alí os pais de Minoru plantavam café, soja, algodão. Com as dificuldades da atividade agrícola, os filhos resolveram fazer outras coisas e abandonaram o sítio. Agora, pensam em recompor o ambiente original e quem sabe explorar futuramente o turismo rural.
RecantoO lugar já recebeu um novo nome Recanto Matsuda e aos poucos os dois irmãos Matsuda estão reconstituindo a mata. Eles mesmos é quem fazem o serviço. O riacho que passa na propridade é o Uruguaiana. Nas proximidades foram escavados dois tanques grandes e mais 4 pequenos, onde criam várias espécies de peixes. Recebemos visitas constantes de amigos e familiares que vêm aqui em busca de um pouco de lazer diferetente da cidade.
Minoru conta que desde que começaram a reconstituição, inclusive com o plantio de frutíferas, os animais também estão voltando. Já encontramos tatu, lontra, pomba verdadeira, maritacas, pássaros diversos e até macacos. De vez em quando penduro pencas de banana entre as árvores para atraí-los, comenta Minoru.
A recomposição da mata está sendo feita aleatoriamente. Minoru comenta que vai plantando intuitivamente, comprando mudas, às vezes ganhando. O que eu quero ver é esta mata crescer e vou ampliar mais uns dois alqueires, conta. Foram plantadas mudas de peroba, arueira, palmeira imperial, jatoba, cedro, mogno e frutíferas como cajá, fruta-pão, cambuci, atemóia, mangostim, cupuaçu, cacau, jambo... Uma das espécies mais plantadas na área é o palmito. Plantamos aproximadamente 1500 mudas, mas elas ainda precisam de mais sombra da mata para poder se desenvolver mais rápido, explica Minoru.
EducaçãoSegundo o secretario municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Miraselva, José Roberto Bueno, a iniciativa dos Matsuda é um exemplo que deve ser seguido por outros produtores. Estamos ajudando e incentivando o trabalho. Temos também promovido visitas de crianças das escolas públicas para conhecer a mata em formação, informa Bueno.
Normalmente os produtores somente fazem o reflorestamento quando são obrigados por lei, e reclamam que perdem estas áreas que poderiam ser exploradas com cultivo. Dependendo das características da propriedade, por exemplo, uma que tem ao seu longo um riacho, a área a ser conservada por lei (50 m da margem), vai pegar uma faixa grande. Temos um caso na região, em que quase 50% da propriedade tem que ser protegida, conta Bueno. Para estes casos, o secretario acha que o governo deveria dar um tipo de incentivo como o desconto de pagamento de imposto sobre estas áreas.
Os Matsuda descobriram a importância da preservação depois que sairam do país, e Bueno comenta que tomara não seja preciso que outros proprietários de áreas rurais tenham que sair do Brasil para entender o quanto é importante preservar o meio ambiente. Daqui para frente a conscientização dos produtores e de todos, de maneira geral, é fundamental. Pensando no futuro levamos as crianças para conhecer o trabalho, diz.


