Recompensa pela produção diferenciada
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sexta-feira, 03 de setembro de 2004
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
Um ganho de 5% no valor do trigo comercializado este ano; R$ 5,00 por saca de soja e R$ 1,00 a mais no milho. Este tem sido o resultado colhido nos últimos meses pelos agricultores da Associação de Produtores de Grãos Diferenciados (APGD).
A entidade reúne produtores do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Funcionando desde 2002, foi oficializada em novembro de 2003 e hoje tem sede em Castro, no Centro-Sul do Estado.
Segundo Maurício Proença, secretário-executivo da APGD, o segredo tem sido aproveitar oportunidades do mercado.
O valor agregado é pago aos grãos que eles chamam de diferenciados, ou seja, produzidos de acordo com a vontade da indústria em ter, por exemplo, um trigo proveniente de uma variedade específica para a fabricação de pães ou massas; ou uma soja destinada especialmente à produção de sucos, entre outras peculiaridades.
A diferenciação, garante Maurício Proença, é conseguida a partir do sistema de produção adotado nas propriedades. Além de um trabalho de rastreamento de todo o plantio, condução e colheita das lavouras, os agricultores mantém uma estrutura de secagem e armazenagem dos grãos, o que possibilita segregar, separar uma produção específica, e na secagem uniforme manter a qualidade do produto.
Recentemente, conta Proença, uma grande indústria procurou pela associação interessada em comprar soja de uma determinada variedade que seria destinada à produção de sucos. Segundo ele, é uma variedade comum, bastante cultivada, mas se a empresa fosse comprar em outro local, talvez não teria como conseguir um lote segregado.
Segundo o agricultor Ricardo Araújo, de Londrina, não adianta fazer plantio direto, rotação de culturas, selecionar as melhores variedades e, na hora de vender, colocar o produto na vala comum, misturado a outros. Para ele, quando se entrega numa cooperativa a produção é misturada a de todo mundo e não há como diferenciar a produção ou mesmo garantir uniformidade, qualidade e a compra de grandes lotes de grãos provenientes de uma sistema diferenciado.
São essas características, segundo Proença, que têm feito a diferença nos contratos fechados este ano. Ele cita outra parceria com uma empresa mineira, por exemplo, que tinha interesse em comprar trigo proveniente de uma variedade específica para fabricação de pães. Com a garantia do produto específico a empresa ofereceu um plus aos agricultores.
Aproveitando nichos de mercado, como variedades destinadas à alimentação humana ou um grão de alto valor de óleo, os agricultores tem se transformado em fornecedores especiais da indústria alimentícia e se organizam para produzir de acordo com as oportunidades de mercado. O próximo passo,
segundo Proença, é conseguir a certificação e o selo de qualidade para a produção que, informalmente, já é rastreada, do plantio até a entrega para o comprador.


