O profissionalismo e a organização, aliados à vontade de continuar na cafeicultura com qualidade e rentabilidade, são fatores que mantêm um grupo de produtores de Santa Cecília do Pavão (60 km ao sul de Cornélio Procópio) na atividade. ''Só fica quem gosta do café e sabe conduzir a cultura trazendo os custos na mão'', justifica o presidente da Associação dos Cafeicultores de Santa Cecília (Acafesc), Milton dos Santos.
Voltando um pouco na história, o café já foi a principal fonte de renda agrícola do Estado. Na década de 60, como lembra o corretor Marcos Aurélio Bacceti, o norte do Paraná foi líder nacional na produção chegando a produzir 21 milhões de sacas numa área de 1,6 milhão de hectares. A falta de incentivos, os baixos preços e as geadas diminuíram reduziram a área plantada.
A geada de 1975 praticamente dizimou a cafeicultura e abriu espaço para a soja e o trigo. Hoje, segundo o Deral/Seab, a área de café é de 130 mil ha, com uma produção de 2 milhões de sacas.
Apesar da sua importância econômica e social (cada 2 ha gera pelo menos 1 emprego direto), a cafeicultura é marcada por períodos de altos e baixos, como o atual, com os preços inalterados desde 2000. O presidente da Acafesc revela que isso voltou a desestimular produtores. No município existem 65 pessoas cadastradas como produtores de café, 26 delas pertencem à associação (fundada em 1999). Santos calcula, entretanto, que pelo menos 30% já abandonaram a cultura.
Como é o caso do produtor Ademir de Godói, que esta semana acabou de arrancar 40 mil pés de café. ''O preço caiu R$ 15,00 numa semana. Um negócio como esse não presta. A gente perde a paixão'', lamenta. Godói tem outra área com a mesma quantidade de cafeeiros em São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio), onde, pelas vantagens climáticas, pretende testar a cultura por mais um ano. ''Soja e trigo dão duas safras por ano e a rentabilidade é melhor que a do café'', calcula.
Santos é mais otimista e rebate os cálculos do colega. Segundo ele, o custo de produção do café é de R$ 78,00/ha. O preço do café no ínicio da semana estava em R$ 165,00 a saca. ''Com esse valor, mesmo tendo colhido pouco, meu rendimento é o dobro do que conseguiria com a soja''. Para ele, o preço ideal do café deveria ficar entre U$ 75,00 e U$ 80,00 (R$ 219,00/233,00 considerando a relação R$ 2,92/US$ 1,00). Mesmo assim, a cultura continua sendo uma boa opção para a pequena propriedade. Mas para isso é preciso estar atualizado em tecnologias e optar pelo cultivo adensado. ''O custo de produção é um pouco mais elevado mas, como a produtividade é maior, a soma final aumenta a renda'', resume.
Outro conselho do produtor é pela organização dos produtores em associações. ''Temos condições de comprar insumos mais baratos e ter um lote maior do produto para a venda''.
Unidade de benefício - A associação está trabalhando agora para a montagem de uma unidade de beneficiamento e padronização de café. ''Queremos um produto diferenciado. Qualidade garante preços melhores'', justifica.
Com recursos repassados à prefeitura o município construiu um barracão e adquiriu uma máquina de beneficiamento que já deveria ter sido repassado à associação. O próximo passo, segundo o presidente da Acafesc, é obter mais verbas através do programa Paraná 12 Meses para mais equipamentos que completem a unidade.
A prefeita de Santa Cecília, Adalgisa Gouveia (PTB), disse que um contrato de comodato está sendo elaborado pelo departamento jurídico da prefeitura e antes do final do ano a associação poderá utilizar o barracão. Ela informa que, como há uma lei complementar que impede o município de dar auxílio a entidades, a doação do imóvel exigiria que a associação ''caminhasse com a próprias pernas''. Adalgisa pretende ainda estimular a associação a industrializar o café com leis de incentivo para que, além dos agricultores, a asscoaição beneficie a cidade com novos empregos. ®MD77¯(Continua nas páginas 6 e 7). ®MDNM¯

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