Receita ecológica
A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba (SP), desenvolve projetos de readequação ambiental para algumas fazendas do País e usinas de cana no interior de São Paulo. No trabalho, alunos da entidade fazem a coleta de dados e reúnem documentos, mapas, escrituras. O material é analisado por agrônomos, biólogos e engenheiros florestais.
Segundo o professor Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Departamento de Ciências Biológicas da Esalq, analisando cada ''pedaço'' da propriedade a equipe elabora uma receita ecológica, com várias propostas de mudança. A principal delas é a implantação de um reflorestamento, baseado no plantio de espécies nativas da região. Em áreas de reserva legal, segundo o professor, é possível orientar a exploração econômica como a produção de madeira para cerca.
O projeto é feito com a participação de cooperativas, sindicatos e outras entidades que podem juntar maior número de produtores para trabalharem organizados e dividirem os custos. O ideal, segundo Rodrigues, é que sejam formados grupos com pelo menos 5 mil hectares de área. O custo sai em torno de R$ 4,50 o hectare, e inclui despesas de transporte e estadia para alunos que vão fazer a coleta de dados.
São grupos de 20 alunos que visitam as fazendas de um a dois dias por mês, durante um ano, em áreas que hoje somam de 10 a 20 mil hectares. Depois deste estágio começa a regularização de áreas com o plantio de mudas, quando não é possível a regeneração natural. Esse plantio pode custar entre R$ 5 mil a R$ 6 mil por hectare. Tudo vai depender da situação de degradação. Com o isolamento de áreas para regeneração natural é possível cortar custos pela metade.
A readequação, segundo o professor, traz dupla vantagem. Uma delas é a possibilidade de certificar ambientalmente a produção (selo verde, Iso 14001, e outros) e obter reconhecimento dos mercados, dentro e fora do país; especialmente em países da Europa que tanto prezam o respeito ao meio ambiente dentro da produção de alimentos. A outra é se colocar dentro das normas legais perante as leis ambientais brasileiras e não ter mais problemas com órgãos de fiscalização.
A atividade agropecuária, segundo Ricardo Rodrigues, com elevada tecnologia e produtividade, não necessariamente deve resultar em degradação ambiental. O ganho de produtividade pode ocorrer junto com o ganho ambiental, promovendo a restauração dos ambientes que foram inadequadamente degradados. (C.B.)





