A boa safra de grãos e o preço da arroba do boi, que está acima da média para esta época do ano, devem contribuir para uma arrecadação recorde durante a 37ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Em entrevista coletiva na última quarta-feira, véspera da abertura dos portões do Parque Ney Braga ao público, o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Manoel ‘‘Neco’’ Garcia Cid, afirmou que a expectativa de receita bruta da feira é de R$ 30 milhões. No ano passado, este valor chegou a aproximadamente R$ 22 milhões.
Além da boa expectativa de comercialização, a Expo’97 traz novidades para o público, como a primeira pista de julgamento coberta do País. Nos últimos dias a pista central, de 3.600 metros quadrados, recebeu uma cobertura semelhante às utilizadas em exposições da Europa e Estados Unidos: estrutura de concreto, cabo de aço e lona vinílica. O local também conta agora com 346 cadeiras de aço.
Outra novidade lembrada pelo presidente da Sociedade Rural é a presença de animais exóticos no Pavilhão de Pequenos Animais. Além de cães e pássaros, espécies mostradas em anos anteriores, estão expostos camelos, avestruzes e lhamas, que, ao lado das minivacas, deverão encantar o público infantil. A exposição deste ano também traz de volta os caprinos, e é sede da 1ª Etapa do Campeonato Sul-Brasileiro de Cavalo Árabe.
Bom momentoOs 600 expositores que participam da feira vão apresentar, durante 10 dias, nove mil animais de 37 raças, entre bovinos, equinos, suínos, ovinos e caprinos. Só entre o gado de elite são três mil argolas, para 500 expositores de 26 raças zebuínas e européias. A programação do evento inclui 30 leilões, dos quais participarão seis mil animais - 4.500 para cria, recria e engorda. ‘‘A euforia vivida no momento pela pecuária deve gerar uma grande procura por matrizes e reprodutores’’, acredita Neco Garcia. Ele informou que a expectativa de comercialização nos leilões é de R$ 3,5 milhões, R$ 1,3 milhão a mais que no ano passado.
Confirmaram presença no evento 20 caravanas do Exterior, de países como o Canadá, Itália, França, Argentina, Paraguai e Venezuela. São visitantes estrangeiros que vêm, na maioria das vezes, à procura das raças bovinas expostas no Parque. Para o presidente da Rural, a Exposição é uma ótima oportunidade de incentivo ao cruzamento industrial.
BarreiraPor causa da febre aftosa, este ano o Estado de Santa Catarina criou uma barreira em relação ao Paraná, e os animais de lá que vierem para a Expo’97 não poderão voltar ao local de origem sem passar por uma quarentena. ‘‘Mas isso não deve ser problema, porque praticamente todos os animais que vêm dos Estados do Sul são comercializados. Mesmo assim, o produtor tem outras opções para os que não forem vendidos, como deixá-los nas propriedade de um amigo, aqui no Paraná, até que aconteça um novo leilão’’, explicou o diretor de Pecuária da Sociedade Rural, Eduardo Fabretti.
Ontem foi assinado um convênio, para custeio pecuário, entre a Sociedade Rural e o Banco do Brasil. A linha de crédito, chamada MCR 62, vai destinar R$ 10 milhões para financiamentos a sócios da Rural, com juros de 14% ao ano. Neco Garcia comemorou a iniciativa, lembrando que há vários anos a pecuária não tinha um incentivo como este.

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