São Paulo - A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) informou ontem que o faturamento com as vendas internas de máquinas e equipamentos agrícolas cresceu 27,2% no primeiro bimestre do ano em relação ao mesmo período de 2009, para R$ 855,81 milhões. No mesmo período do ano passado, a receita obtida pelas indústrias do setor totalizou R$ 672,74 milhões.
O levantamento da Abimaq indica que somente em fevereiro, a receita cresceu 24,8% para R$ 475,16 milhões. O número de empregados no segmento de máquinas e implementos agrícolas teve pequeno acréscimo de 1% em fevereiro para 42.797 vagas. Já o nível de utilização da capacidade instalada nas empresas no mês passado teve incremento de 2,3 pontos percentuais para 71,57%.
O crescimento do setor reflete o impulso dado pela redução da taxa de juros da linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de 10,5% para 4,5%, através do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), anunciado em junho de 2009. Inicialmente, a medida valia até dezembro de 2009, mas foi prorrogada para até junho deste ano, para dar mais fôlego ao setor.
Ainda segundo o levantamento da Abimaq, as exportações do setor cresceram 4,1% no período para US$ 85,9 milhões e as importações diminuíram 35,6% para U$ 44,63 milhões.
Bens de capital
A indústria de bens de capital possuía em fevereiro uma carteira de pedidos equivalente a 22,72 semanas, o maior volume desde o início do levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em 2006. O dado significa que, caso nenhuma encomenda fosse feita às empresas do setor hoje, a indústria teria quase 23 semanas de trabalho para entregar os pedidos realizados até fevereiro.
O desempenho representa alta de 0,6% sobre janeiro e de 25,2%, sobre fevereiro de 2009. A média de semanas verificada no setor para a entrega dos pedidos varia, normalmente, entre 18 e 19 semanas. Devido à crise, a carteira caiu para 17,89 semanas em março do ano passado.
''Foi uma boa surpresa'', admitiu o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, destacando que o número supera inclusive os dados registrados em 2008, o melhor para o setor em termos de faturamento, quando a média ficou em 18 semanas. ''Tudo indica que a indústria está investindo e se preparando para aumentar a produção e a produtividade'', acrescentou.
De acordo com Aubert, a retomada dos investimentos pela indústria tem sido generalizada, com destaque para os setores de mineração, cimento e papel e celulose, alguns dos mais afetados pelos efeitos da crise no ano passado. A própria indústria de máquinas e equipamentos vai destinar R$ 8,7 bilhões em investimentos em seu parque industrial, um crescimento de 20% sobre 2009.

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