Receita com leite longa vida cresce 10% em 2011
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sexta-feira, 10 de junho de 2011
Ana Conceição <br> Agência Estado 
São Paulo - A despeito das ações do governo para desaquecer o apetite dos consumidores neste ano, a fim de controlar a inflação, a indústria brasileira do leite longa vida prevê crescimento de até 5% no volume e de 10% no faturamento em 2011, na comparação com o ano passado. O setor vive o melhor momento de sua história recente e vê perspectiva de alcançar níveis internacionais de consumo per capita de lácteos nos próximos dez anos, segundo Laércio Barbosa, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida (ABLV).
A produção de longa vida deverá alcançar 5,7 bilhões de litros em 2011, com faturamento de R$ 10 bilhões. Em 2010, o produto correspondeu a 55,4% do segmento chamado (ou conhecido por) de leite de consumo (pasteurizado, em pó para varejo e UHT) e a expectativa é que neste ano essa parcela chegue a 57%. Além do aumento da preferência, o setor acredita que o consumidor continuará a migrar do leite pasteurizado e cru (sem tratamento) para o UHT. Em 2010, a produção de leite cru caiu 11% e a de pasteurizado recuou 5,6%.
Segundo Barbosa, que acaba de tomar posse na presidência da ABLV, percebe-se o bom momento pelos investimentos que estão sendo realizados pelo setor. ''Todas as grandes indústrias estão abrindo novas unidades ou ampliando as já existentes. E grandes empresas do mercado internacional, como Fonterra (Nova Zelândia) e Lactalis (Itália) estão olhando o mercado brasileiro'', disse, acrescentando que, atualmente, todo projeto de laticínio contempla a produção de longa vida. No mês passado, a Fonterra, maior processadora de leite do mundo, anunciou a instalação de uma fazenda leiteira piloto em Cristalina (GO). A empresa também tem uma parceria com a Nestlé no Brasil.
O setor de lácteos (leites, queijos, iogurtes etc) ainda tem muito a crescer no País. De acordo com a ABLV, o consumo per capita alcançou 165 litros, bem abaixo dos 200 litros recomendados pelo Ministério da Saúde. Em 1980, era de 100 litros. A demanda tem potencial para crescer acima daquele volume recomendado nos próximos anos, diz Barbosa. No Nordeste, onde várias empresas se instalaram recentemente, o consumo cresceu 10% ao ano nos últimos três anos, embora a base ainda seja pequena. A região responde por 6% do mercado. ''Esta é uma região que está sendo explorada e que tem grande potencial'', afirma o presidente da entidade.
Para continuar a crescer e enfrentar a concorrência de bebidas alternativas, como o leite de soja, a indústria pretende investir cada vez mais no mix de produtos. Hoje há nas prateleiras desde o produto básico até os reforçados com vitaminas, fibras, cálcio, entre outros. ''A indústria tem trabalhado para desenvolver toda uma nova linha de produtos'', diz Nilson Muniz, diretor executivo da ABLV. ''O leite é um bom vetor para ingredientes funcionais. Este vai ser o vetor do crescimento do mercado nos próximos anos'', acredita.


