Apesar do susto causado pelas mudanças climáticas que influenciaram na produtividade da soja paranaense, o recebimento das cooperativas não sofreu queda tão significativa como era esperado.
Salvo algumas exceções no Norte do Estado, de forma geral o recebimento deve ser bem similar em comparação ao ano passado. As cooperativas recebem cerca de 70% de toda soja produzida no Paraná, o que significa algo em torno de 10,5 milhões de toneladas. "Até agora, a sensação que temos é que estamos recebendo uma safra bem similar a 2012/13, que ficou em 10,7 milhões de toneladas", explica o gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra.
A Ocepar ainda não possui os números fechados, mas Turra avalia que a quebra foi menor do que o divulgado quando a colheita começou. Em termos de preço, ele acredita que também deve permanecer parecido ao do período anterior, acima dos R$ 60 a saca. "O fato é que a quebra de produtividade não teve um grande impacto nas cooperativas. Poderia ter havido uma colheita recorde, com injeção de recursos, mas se compararmos com todo o histórico, podemos considerar um ano bom." Na opinião de Turra, nem a estimativa de maior produção dos Estados Unidos deve influenciar nos valores da commodity para o segundo semestre.
Já em relação ao milho safrinha, a expectativa da Ocepar é que os preços de comercialização fiquem nos patamares da atualidade. "Na época em que o produtor deveria optar pelo plantio do milho, os preços estavam ruins e muitos apostaram no trigo. Porém, agora os preços voltaram a bons patamares e devem permanecer assim até a colheita da safra."
O gerente de comercialização da Cooperativa Integrada, Alcir Antonio Chiari, calcula que o recebimento da soja deve ficar em torno de 700 mil toneladas, uma retração em torno de 6,6% comparado às 750 mil toneladas recebidas do ano passado. "Por tudo que se falou, os números ficaram perto da normalidade. É claro que a cooperativa, como toda a empresa, busca crescer ano após ano, mas infelizmente isso não aconteceu."
Chiari lembra também que mesmo com a quebra paranaense, o Brasil teve uma produção maior - de 86 milhões de tonelada - contra 81,5 milhões da safra 2012/13. "Sojicultores que aproveitaram a oportunidade conseguiram vender a saca até R$ 66. A partir de agora, porém, o produtor tem pontos prós para negociar, como o baixo estoque mundial e o apetite chinês pela commodity, e outros contra, como a expectativa do plantio americano."
Se para o gerente da Integrada especular com a soja ainda é válido, ele não aconselha a mesma estratégia com o milho. "Muitos estão fazendo isso, pedindo preços que estão acima do mercado. Porém, até agora, apenas 10% da safra foi comercializada e os estoque mundiais estão bons, inclusive há uma grande expectativa de que a safra americana atinja a marca de 360 milhões de toneladas." (V.L.)

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