O Brasil tem 180 milhões de cabeças bovinas e, destas, 35 milhões são de gado de leite. O restante, 145 milhões, são de gado de corte, muitos dos quais para produção de carne.
Quarenta por cento do rebanho de corte são fêmeas (58 milhões de cabeças). Considerando taxas de natalidade de 60% em média tem-se por ano 36 milhões de nascimentos. Destes, 18 milhões fêmeas e 18 milhões machos. Do total de fêmeas, 8 milhões, em média, poderão ir para o abate. São necessários 10 milhões de fêmeas para reposição.
O abate anual está em 36 milhões de cabeças para uma produção de 7,5 a 8 milhões de toneladas equivalente carcaça. Apenas 10% a 15% dessa produção é exportada, daí o grande potencial do Brasil se tornar o maior vendedor de carne do mundo.
No setor de produção os investimentos devem seguir nas áreas de genética, saúde, manejo e alimentação dos animais. Em muitas regiões, para aumentar a produtividade dos rebanhos, é preciso investir também em recuperação de áreas de pastagens.
Para isso, de acordo com o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Kepler Euclides Filho, os pecuaristas podem dispor de linhas de financiamentos do governo que já existem para o setor. Os investimentos deverão retornar em benefício de rentabilidade e, em alguns casos, não será preciso haver gastos, mas reajustes no atual manejo.
Nos últimos anos a pecuária vem melhorando seus índices de produtividade. O aumento tem sido lento, mas cumulativo. Não houve retrocessos, garante Kepler Euclides Filho, o que fez subir o desfrute do rebanho brasileiro com abate de animais mais novos e aumento das taxas de natalidade. A melhoria desses índices, com uso de tecnologias apropriadas, pode dar condições de atender a um aumento de demanda pela carne.
Se não houver incremento do rebanho, na melhoria dos índices, com campanhas que fomentem a necessidade de aplicação de tecnologias de produção, aí sim haverá problemas de abastecimento, avisa o pesquisador. E estas iniciativas, na opinião dele, devem congregar associações e governo, motivando os pecuaristas a investirem na atividade.
''Um dos trabalhos pode ser o de mostrar o quanto o mercado externo pode ser atrativo em termos de preço, mas isso deve ser feito sem prejuízos ao mercado interno. O pecuarista deve investir para ser eficiente e obter rentabilidade.''
Kepler Euclides cita o movimento da Câmara Setorial da Carne, ''que tem trabalhado na possibilidade de haver entendimentos e mudanças no atual sistema de rastreabilidade e no Sisbov, a classificação de carcaças e a valorização do couro, como formas de incentivar o incremento da produtividade na pecuária de corte''.
A Câmara Setorial, segundo Kepler, está discutindo a possibilidade de estruturar uma campanha de esclarecimento do que significa produzir com qualidade. A consolidação e o aumento do mercado dependem também da solidez dessas políticas de incentivo que estão acontecendo, considera o pesquisador.
Segundo ele, o pouco que se fez até agora, por exemplo, já se garantiu, nos últimos cinco anos, o aumento do desfrute do rebanho brasileiro que cresceu 1,5% no período e, em alguns Estados, já é de 23%. Mas é preciso crescer mais.
Como se aumenta o desfrute? Reduzindo idade de abate com tecnologia, melhor alimentação dos animais, uso de genética, cuidados com a saúde do rebanho e manejo adequado. A redução das idades de primeira cria aumenta a natalidade e reduz a mortalidade.
Há 10 anos a idade de abate era de 42 meses em média no Brasil há exceções, para animais criados a pasto. Hoje está próxima de 37 meses. Colaborou para isso o uso de tecnologias como suplementação no período seco, semiconfinamento, entre outras. A redução de mais cinco meses na idade de abate de um animal pode significar ganhos ainda maiores. Alternativas tecnológicas possibilitam reduzir essa idade média para 33 meses com muita facilidade.

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