Na Cooperativa Integrada, em Londrina, segundo o gerente e agrônomo Celso Otani, a procura por sementes para a safrinha está fraca. ‘‘Por enquanto, há um desinteresse por parte dos agricultores.’’ O encarregado de distribuição da cooperativa, Edson Arthur, confirma a alta no preço do produto entre 20% e 30% em relação ao preço do ano passado.
Otani considera que a alta se deve a concentração no mercado de produção. Hoje apenas quatro empresas dominam esse mercado de híbridos: a Du Pont comprou a Pioneer; a Cargil e a Agroceres são da Monsanto; a Dinamilho, Colorado e Zêneca, são da Dow Elanco que é uma subsidiária da Mycogen; e por fim a Novartis. ‘‘A concentração deixa o produtor na mão dessas empresas, que ofertando o mesmo material do ano passado alteraram os preços sem maiores explicações.’’
De acordo com o diretor-executivo da Associação Paranense dos Produtores de Sementes e Mudas (Apasem), Eugênio Bohatch, a estimativa é de que o Paraná produz cerca de 26 mil toneladas de sementes de milho por ano, mas tem uma demanda de pouco mais de 36 mil toneladas. Para suprir o consumo vem muita coisa de fora do Estado, principalmente de São Paulo, onde está a maioria das indústrias de sementes. O Paraná tem também muitas áreas onde não são usadas sementes indústria e o agricultor planta o grão, o milho de paiol ou de cerealista.
Dados da Associação Paulista de Produtores de Sementes (APPS) indicam que no ano passado foi vendido no Paraná um total de 13.990 toneladas. No mesmo período a venda no Brasil somou 39.815 toneladas.
A alta no preço das sementes, segundo os dirigentes das associações, não é só responsabilidade da indústria ou do produtor de sementes. Como em qualquer produto, agentes de toda a cadeia produtiva vão agregando valores relativos aos investimentos ao longo do processo de produção até entrega para o consumidor (o agricultor).
Esses valores, explicam, é que vão garantir a margem de lucro para o produto ou a fatia de cada um. O problema é que isso aconteceu, principalmente no caso do milho, num ano em que o agricultor não teve nenhuma rentabilidade com a cultura, mas só prejuízos.
O secretário-executivo da APPS, Cássio Camargo, explica que nos últimos quatros anos as empresas têm alterado o preço das sementes porque estão lançando novos materiais, mais produtivos e de alta tecnologia. ‘‘A participação de híbridos mais sofisticados tem alterado o mix de produtos das empresas e, portanto, os preços.’’ (C.B.)

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