Readequar os preços dos insumos pode ajudar produtores
O Paraná é o terceiro maior produtor de carne suína do Brasil. Em 2010 o Estado produziu 478,4 mil toneladas, ficando atrás de Santa Catarina (746 mil/ton) e Rio Grande do Sul (588,7 mil/ton). Em comparação com o ano anterior, o Estado teve sua produção reduzida em 18,4 mil toneladas. A expectativa para este ano é manter o volume do ano passado, mas o mercado está pessimista. Carlos Francisco Geesdorf, presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), revela que apesar do Paraná exportar apenas 11% da carne produzida, o embargo Russo foi uma ''facada'' para o mercado local.
Geesdorf explica que apesar da Rússia representar apenas 1/3 das exportações paranaenses, que também são direcionadas para a Coreia, Venezuela e Hong Kong, o aumento da oferta no mercado interno tirou a competitividade do Estado dentro do País. O presidente da entidade sublinha que é necessário que o Brasil conquiste novos mercados e não dependa somente da Rússia porque se houver novos embargos a produção excedente não será direcionada para o mercado interno.
Os insumos também pesam para a atividade. Outra solução apontada por Geesdorf é diminuir as exportações de milho, pressionando para baixo o preço do grão no mercado interno. ''Estamos pagando R$ 29,30 a saca de milho de 60 quilos. Quase toda a produção é voltada para os Estados Unidos que o transforma em etanol. É necessário que o governo crie estoques no mercado interno para estabilizar os preços'', comenta.
Além disso, Geesdorf acrescenta que o consumo de carne suína no País deve ser estimulado. Segundo o presidente da APS, a média brasileira é de 14,4 quilos por habitante/ano, abaixo do vizinho Paraguai, que consome 30 quilos por habitante/ano e muito menos do que alguns países da Europa, como a Espanha, com índice de 60 quilos por habitante/ano. ''O mercado gastronômico brasileiro não tem o hábito de consumir carne de porco, isso tem que ser mudado'', reforça.
Giovana Brunetta, da granja Santa Ana, em Mamborê, Centro-Oeste do Estado, complementa que se todo brasileiro consumisse 100 gramas a mais de carne suína, poderia amenizar essa crise, pois os preços do produto subiriam. Ela admite que a população brasileira tem muito preconceito contra o produto suíno, mas ao contrário do que dizem, se consumida moderadamente a carne é benéfica à saúde humana. (R.M.)





