Reação no mercado de suínos
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sábado, 01 de dezembro de 2007
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
''Estamos saindo da pior crise já registrada na suinocultura nacional''. A frase de alívio é de Irineu Wessler, presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS). Nos últimos dois anos, afetados pela novela dos casos de febre aftosa no estado e a consequente suspensão das exportações de carne para mercados importantes como a Rússia, o setor acompanhou os preços despencarem. ''Antes da crise o carne suína estava cotada a R$ 2,50 por quilo (kg) chegando até a R$ 1,05/kg, no ínicio de 2006'', lembra.
A reação vem sendo gradativa, mas os melhores preços registram-se a partir do segundo semestre deste ano, com o quilo da carne suína chegando a R$ 2,40, tendo ainda como cliente apenas o mercado interno. ''O mercado foi se adequando e consegue consumir praticamente todo o volume da carne ofertada'', afirma. Os embutidos são destaque na preferência do brasileiro.
Wessler não esconde a preocupação trazida pelo aumento no preço do milho e do farelo de soja - os principais ingredientes da ração suína. ''Houve uma elevação no custo de produção e ainda não sobrou dinheiro. Estamos conseguindo cobrir esse custo'', diz. O presidente da APS elogia a ação imediata do Ministério da Agricultura e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) com os leilões de milho com cotações mais baixas, o que permitiu ''amenizar o problema''.
Além do consumo interno maior estimulado pelas festas de final de ano, a expectativa da cadeia se volta para a demanda externa. ''Com o retorno das vendas para a Rússia já a partir de dezembro, a margem de lucro deve ser maior e teremos como liquidar os prejuízos. 2008 deve ser um ano muito bom para o setor'', aposta Wessler.
A exportação não deverá desabastecer o mercado interno, garante Irineu Wessler. ''A tecnologia disponível nos permite dobrar a produção sem necessidade de mais matrizes. A média atual é de 30 porcos/ano por matriz.'' Ainda segundo o presidente da APS, o período de gestação suína é de 110 dias, o que possibilita 2,5 crias/ano.
No Paraná, a suinocultura é desenvolvida por cerca de 5.600 produtores, com a maior concentração de granjas situadas no oeste (Cascavel e Toledo). ''O rebanho comercial é estimado em 295 mil matrizes tecnificadas, com mais 25 mil matrizes de produção de subsistência'', informa.
O setor tem também se adequado para uma produção ecologicamente correta, seguindo orientações de normas ambientais. ''Fomos taxados de poluidores. Temos hoje um manejo que permite o aproveitamento dos dejetos.'' O produto ainda não agrega valor à produção, pois é destinado à fertilização nas propriedades ou doados a vizinhos.


