Os frigoríficos paulistas reduziram o preço do boi no início de janeiro e, esta semana, diante da pouca oferta, tiveram que correr atrás de animais prontos, já que as escalas de abate são curtas. No Estado de São Paulo, os frigoríficos voltaram a pagar R$ 59,00/arroba. No Paraná, R$ 56,00.
Mas o analista de mercados José Vicente Ferraz acha que os preços se manterão nesse patamar somente por mais alguns dias, podendo voltar a cair com a normalização da oferta. Um dos fatores que sustentam os preços atualmente são as chuvas, que já cessaram em algumas regiões.
Mesmo que o mercado oscile para cima não será suficiente para recuperar a defasagem de preços. Em relação à média histórica do dólar (US$ 21,00/22 arroba), o pecuarista está perdendo muito, pois ao câmbio de hoje, não deflacionado, a arroba gira em torno de US$ 16,00, considerando a atual cotação da moeda norte-americana, de R$ 3,60/US$ 1,00. ''Se descontarmos a inflação norte-americana, a média histórica sobe e a desagem aumenta'', explica o técnico.
Para Vicente Ferraz, só a estabilidade da moeda norte-americana devolverá ao boi os preços médios em dólar dentro da média histórica. Mas a tendência, na previsão do técnico, é fechar o primeiros semestre sem muitas mudanças. Até porque o consumo interno ''não está com essa bola toda'' e as exportações não terão grandes saltos, com exceção da China que acena com grandes compras a curto prazo.
No atacado, a tendência dos preços é de estabilidade no curto prazo. Em 2002, o desemprego na região metropolitana de São Paulo atingiu 19% da População Economicamente Ativa (PEA), segundo a Fundação SEADE. É o segundo pior resultado desde 1985, e representa um total de desempregados da ordem de 1,8 milhão de pessoas. Se observarmos que, com pequenas alterações, esta situação de desemprego acontece em todo o País e que ela afeta a renda da população com grande intensidade, podemos entender um dos motivos mais profundos do fraco consumo que se observa, inclusive de alimentos como a carne bovina.
Arrendamento - Vicente Ferraz está prevendo nova corrida para o arrendamento de pastos por parte de plantadores de soja que querem aproveitar o bom preço do produto. Isto já aconteceu na safra anterior mas pode se acentuar este ano, para plantio da safra 2003/04.

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