Rastreabilidade é mostrada em dia de campo
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de dezembro de 2001
Benedito Teles<br>De Santo Antônio da Platina 
A apresentação de equipamentos para rastreabilidade bovina pela Empresa Brasileira de Pesquisa (Embrapa) durante dia deCampo, na Fazenda Beka, em Santo Antônio da Platina (20 quilômetros de Jacarezinho) na semana passada despertou a curiosidade e mostrou aos pecuaristas os preparativos do governo federal para facilitar a adaptação dos produtores aos novos padrões de comercialização exigidos pelos países europeus. O sistema de rastreamento de bovinos, desenvolvido pela Embrapa Gado de Corte - MS, utiliza chips eletrônicos que permitem o monitoramento dos animais.
Gerenciamento
De acordo com os técnicos os chips serão adequados ao tamanho e a espécie de cada animal e associado a programas de informática, responsáveis pelo gerenciamento específico. Para demonstrar o funcionamento do sistema foram instalados chips eletrônicos em 45 vacas do programa de melhoramento da pecuária Seletiva Beka. O rastreamento identifica a idade do abate, origem, sexo, raça, alimentação, vacinas e medicamentos que foram administrados. Os técnicos lembram que também podem ser obtidas informações mais complexas como a suplementação de ração, manejo sanitário e o histórico de ganho de peso.
O custo do chip por animal oscila entre US$ 2 a US$ 3 e o custo do equipamento com computadores, instalação, antenas e softwares é de cerca de R$ 5 mil. A Embrapa utiliza dois tipos de chips. Um para ser instalado ao nascimento, na cicatriz umbilical e outro em animais adultos através do método intrarumenal. A localização do chip foi definida devido o tipo de gado predominante no País. De acordo com os técnicos o gado nelore, as raças zebuínas e seus cruzamentos não permitem o uso de brincos com leitura eletrônica, por causa, do volume e do estilo dos animais.
Teclado de peão
O pesquisador da Embrapa Pedro Paulo Pires disse que, além do chip, o sistema de rastreamento desenvolvido pela entidade prevê a adoção do ''teclado do peão'' e do software no gerenciamento eletrônico das informações. O teclado, segundo ele, é um painel que será operado pelos funcionários da fazenda para passar informações para o armazenamento de dados. Segundo ele o rastreamento é completo e permite o monitoramento dos animais destinados à produção de carne e dos animais selecionados para a produção de matrizes e reprodutores.
O pecuarista Abelardo Lupion acredita na viabilidade do projeto. Segundo ele os benefícios e a segurança proporcionada pelo projeto compensam o investimento. Segundo ele o custo não inviabiliza a adoção do sistema e o preço deve ser reduzido com a produção em larga escala dos equipamentos. ''Daqui dois ou três anos o pecuarista que não obtiver carne rastreada não vai comercializar no mercado externo,'' sentenciou.
O pecuarista Edílson Costa Auersvald, de Santo Antônio da Platina, acompanhou todo o dia-de-Campo e disse que está entusiasmado com as novas tecnologias, mas afirmou que o preço pode inviabilizar sua adoção pelos médios e pequenos pecuaristas. ''O preço do equipamento terá reflexos imediatos no custo para os pequenos e médios pecuaristas. O que pode inviabilizar a aquisição do sistema'', disse. De acordo com os técnicos da Embrapa o preço deve ser reduzido com a ampliação da produção dos equipamentos. Atualmente os chips são produzidos pela empresa americana Destron Fearing.
Durante o evento também foram apresentadas técnicas no manejo adotados na recuperação de pastagens degradadas, o controle de pastagens com integração lavoura-pecuária e as técnicas de manejo alimentar para gado confinado adotados na fazenda.


