Curitiba - A rastreabilidade e certificação da produção agrícola também foi destaque no simpósio. Exigência especialmente de compradores estrangeiros, o acompanhamento de todos os passos da produção é visto por quem adota o plantio direto como uma necessidade para ganhar mais espaço no mercado internacional.
''A rastreabilidade é uma necessidade para atender o mercado no futuro, não tem como fugir disso'', afirma Franke Dijkstra, presidente da Febrapdp. ''O plantio direto oferece a qualidade que o mercado exige, mas temos que saber mostrar isso'', acrescenta. Opinião semelhante à do diretor-presidente da Fundação de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Sul (Fepagro), Benami Bacaltchuk, um dos palestrantes do simpósio. ''Em relação ao plantio direto, não podemos só dizer que temos a agricultura mais limpa do mundo, mas temos que provar isso, através de rastreabilidade e certificação, que são exigências do mercado'', declara.
Quem também defende a ampliação dos processos de certificação é o agrônomo Márcio Antônio Portocarrero, secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). ''Várias cadeias européias têm exigido dos exportadores níveis específicos de resíduos, de agrotóxicos e até mesmo de respeito ao meio ambiente e das questões sociais. As certificações e a rastreabilidade ajudam muito para isso'', diz.
Apesar disso, Portocarrero aponta para o que classifica como uma ''incoerência'' que vem acontecendo no processo de certificação no Brasil, voltado especialmente para o mercado externo. ''No Brasil, já existem selos de certificação e rastreabilidade para frutas e, bem ou mal, para carnes para exportação. Mas não há rastreabilidade para o que é produzido para os 190 milhões de brasileiros. É uma incoerência, uma política que tem que ser mudada pelo governo'', declara. (R.L.)

mockup