Raiz a preço de ouro
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sábado, 13 de dezembro de 2003
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Produtores de mandioca do Paraná estão em festa. Depois de dois anos de preços muito baixos, este ano o preço da raiz sofreu uma verdadeira explosão. O valor da tonelada da mandioca está variando entre R$ 270,00 a R$ 300,00 (em 2002, o preço médio da raiz foi de R$ 55,00/t).
Esse salto no valor de comercialização, segundo o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, Methódio Groxko, deve-se à redução da área plantada, associada ao aumento na demanda da raiz para atender tanto a indústria de fécula de mandioca (amido), quanto as farinheiras. ''A seca na região Nordeste do País fez com que muitas indústrias de lá viessem buscar farinha pronta aqui no Paraná''.
A área de mandioca que acaba de ser colhida foi de 111 mil ha, 22% inferior à area plantada em 2001/2002. Além do desestímulo pelos baixos preços no ano passado, ainda houve produtores que não conseguiram terra para plantar.
Na região de Paranavaí, a maior produtora do Estado, como explica o geógrafo e pesquisador de safras da unidade regional do Deral, Enio Luiz Debarba, a indisponibilidade de terras deve-se, em parte, ao calote sofrido por muitos proprietários. A maioria dos produtores são arrendatários que, com a baixa remuneração obtida no ano passado, não tiveram condições de pagar a renda. Muitas lavouras de mandioca são plantadas em áreas de pastagem nos períodos de reforma de pastos. ''Os arrendatários plantam a mandioca e as novas mudas de grama''.
Groxko cita também a falta de estoque regulador por parte do Governo Federal. ''A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) vendeu tudo no ano passado, não temos nem fécula, nem farinha''.
Debarba diz que o custo de produção da mandioca não é elevado, fica em torno de R$ 120,00 por tonelada de raiz ou R$ 2.160 por ha - a produção média é de 18 t/ha. O rendimento cai quando é somado o valor pago pelo arrendamento. ''O hectare de terra está custando entre R$ 750 a R$ 1 mil, um valor alto para quem arrenda'', observa.
A mandioca utilizada pela indústria, como explica o pesquisador do Deral de Paranavaí, é diferente da variedade consumida na mesa. ''A mandioca da indústria é chamada de mandioca brava. O mandioca de mesa é a mansa''. O ciclo da mandioca brava, com boas condições climáticas e de solo, permite colheita a partir dos 8 meses. A produtividade é maior para quem opta por arrancar as raízes com 1,5 ano.
Debarba diz que há variedades que suportam até dois anos no solo, mas aí, é preciso uma poda com um ano para a renovação das plantas. A cultura também não é exigente, basta um bom preparo de solo no plantio e gosta de terrenos arenosos. O principal inimigo é a lagarta que pode ser combatida tanto com controle biológico quanto químico.
Ele destaca que a cultura é uma boa alternativa para a agricultura familiar. ''Áreas pequenas, com menos de 12 ha, podem ser cuidadas por famílias de até três pessoas'', afirma.


