Raiva ronda rebanhos do MT
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de março de 2002
Reportagem Local 
Veterinários do interior do Mato Grosso estão alertando sobre possíveis focos de raiva animal em várias regiões daquele Estado, causando prejuízos aos criadores e colocando em risco a vida de pessoas que lidam com os animais que morrem vítimas da doença.
Segundo os técnicos, que não quiseram se identificar, o Mato Grosso está à beira de um surto de raiva animal, cuja gravidade não está sendo dimensionada, porque profissionais que trabalham em órgãos públicos do setor da sanidade animal preferem não abrir os focos suspeitos, ao contrário do que foi feito nos três que já foram debelados na área de abrangência do lago da hidrelétrica do rio Manso, sendo dois em Rosário Oeste e um em Chapada dos Guimarães.
Os profissionais explicam que o desestímulo para lidar com uma doença tão perigosa está nos baixos salários que o Instituto Nacional de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) paga a um médico veterinário em início de carreira: R$ 850. A direção do Indea contestou a denúncia dos técnicos sobre a suposta negligência de médicos veterinários, mesmo em início de carreira, que não divulgam os focos da raiva animal.
Segundo informações no Indea focos de raiva animal podem ser um reflexo da falta de consciência dos criadores em vacinar os animais contra a doença. A vacinação não é obrigatória, mas representa uma prevenção de baixo custo. Uma dose da vacina custa R$ 0,30. O órgão de defesa animal divulgou também que mantém um calendário anual para captura e morte de morcegos hemafófagos, os transmissores da doença.
De acordo com estimativas feitas com base em informações das fazendas onde três focos de raiva foram identificados, a doença já matou mais de 800 bovinos em menos de quatro meses. Mesmo com a vacinação em massa do rebanho da área de abrangência da represa de Manso, a doença vai continuar matando por algum tempo ainda, porque depois que ocorre a desincubação do vírus da raiva animal a morte é irreversível, disse um dos técnicos. Segundo ele muitas pessoas da área que lidam com animais, inclusive açougueiros, foram vacinados contra a raiva animal.


