O desmatamento e o consequente aumento da temperatura tem provocado problemas no centro-sul do Paraná. Nas últimas semanas o Departamento de Fiscalização da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Defis/Seab) tem registrado casos de raiva em bovinos e equinos, ocorrência inédita naquela região.
''O morcego hematófago, o transmissor da doença, só ocorre em regiões quentes. Mas ultimamente tem migrado para outras áreas por causa do aquecimento global'', diz Elzira Jorge Pierre, responsável pela área de raiva bovina do Defis. O resultado são 20 casos da doença em 17 focos, nos municípios de Bituruna, Pinhão e Coronel Domingos soares, que afetou 17 bovinos e três equinos. Esses dados foram computados até a última quarta-feira.
O surgimento da doença deixou a região em alerta. Segundo a técnica do Defis, houve a determinação de que nas propriedades localizadas num raio de 12 quilômetros dos focos de raiva todos bovinos, bubalinos, equídeos, ovinos e caprinos sejam vacinados. A obrigatoriedade atinge os municípios de Palmas, Coronel Domingos Soares, Pinhão, Cruz Machado e Porto Vitória, além de Bituruna. Elzira Pierre afirma que, por precaução, a vacinação é recomendável nos municípios dentro do raio de 20 quilômetros do foco. A vacinação não é obrigatória quando não há registro de casos da doença.
A ameaça da raiva bovina no centro-sul não é de agora. Desde o ano passado o aumento da temperatura na região possibilitou o aparecimento de morcegos hematófagos em Palmas - município onde se registram as temperaturas mais baixas do inverno paranaense. Segundo Elzira, em abril deste ano houve registro de casos em Clevelândia, na região de Pato Branco.
O desmatamento é uma ds causas do surgimento do morcego na região. ''Quando havia mata virgem os morcegos que apareciam se alimentavam dos animais que viviam ali. Com o fim das matas os morcegos passaram a atacar os rebanhos e o vírus da raiva começou a circular pela região'', descreve Elzira. Outro fator que contribuiu para a ocorrência de casos foi o aumento da população bovina. ''Hoje temos uma cabeça de gado para cada habitante'', afirma.
O produtor e os funcionários que lidam com o gado devem estar atentos. O animal doente apresenta dificuldades de locomoção, começa a babar e se isola do restante do rebanho. Outro sintoma é que gado procura chegar até a água. ''É preciso tomar cuidado e não manipular o animal. Muitas vezes a pessoa pensa que o boi está engasgado e mexe em sua boca. Se tiver algum ferimento na mão pode se contaminar'', alerta. Se houver contato com o animal doente, a pessoa deve ser vacinada. Segundo Elzira, os animais que apresentarem lesões causadas pelo morcego devem ser tratados com pasta vampiricida. ''A tendência é que o morcego volte a atacar o mesmo animal'', explica.
A Seab solicita aos produtores do centro-sul que avisem os núcleos regionais e unidades veterinárias da Secretaria sobre a existência de abrigos de morcegos hematófagos. Normalmente eles se escondem em bueiros, casas abandonadas, ocos de árvores, cavernas e outros locais.

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