A casca rígida e áspera, em formato de coração, esconde uma surpresa para aqueles que se dispõem a retirá-la: a polpa macia de sabor único que mistura o doce e o cítrico em combinação perfeita. A iguaria em questão é a lichia, uma fruta original da China que começa a cair no gosto dos brasileiros. A produção nacional ainda não garante oferta constante. Produtores como o engenheiro agrônomo Edson Tomio Sato e seu primo Jorge Kimura, de Assaí, entretanto,
apostam que a disseminação do produto transformará a cultura em bom negócio.
Eles plantam a chamada ''rainha das frutas'' em uma área de 4,8 hectares no sítio que, há alguns anos, abrigava lavoura de café. Mais cinco hectares são ocupados pela atemóia, outra fruta exótica que concentra a principal fonte de renda da propriedade. A variedade de lichia plantada é a bengal. As primeiras plantas foram cultivadas há 15 anos e começaram a produzir comercialmente oito anos depois, em 1997.
De ciclo bianual como o café, a lichia alterna uma safra de boa produtividade com outra de pouca produção. Para produzir, a planta precisa de 200 horas acumuladas de temperaturas abaixo de 13 graus, o que a torna adequada para regiões sub tropicais. Cada árvore pode atingir entre 10 e 12 metros.
A safra que começou em novembro é cheia. No sítio de Assaí, a expectativa é que sejam colhidas três mil caixas vendidas por sistema de consignação no Ceagesp de São Paulo. ''Em Londrina, o mercado está saturado porque as pessoas ainda não têm hábito de consumir a fruta'', disse ele, que no início do mês vendia cada caixa de aproximadamente cinco quilos por R$ 10,00 a R$ 15,00. Como a produção ainda não é constante, Sato acredita que a lichia seja uma boa alternativa de diversificação. ''Não garante renda anual'', avaliou.
Experiências de manejo- Relativamente nova na região, a fruta desafia os produtores com relação ao manejo. Por ser rústica, os tratos culturais necessários são simples. ''Esse ano fiz roçagem e apliquei adubo foliar'', comentou Sato. Como ainda não há defensivos registrados, ele combate pragas, quando necessário, com produtos orgânicos. Os principais insetos invasores são a mosca da fruta, a abelha arapuá e o percevejo.
Com intenção de quebrar o ciclo bianual da planta, Sato fez uma poda nos galhos mais carregados para tentar diminuir o estresse e estimular a produção no ano que vem, quando a colheita deve ser bem menor. Outra experiência dos produtores foi o plantio de alguns pés embaixo de telas que, anteriormente, eram usadas para proteger parreiras de uva. ''Diminui o vento e a incidência do sol. As frutas ficam com aparência melhor'', explicou o engenheiro agrônomo.
A colheita e a embalagem demandam o maior trabalho do processo produtivo. Com grande potencial para ornamentação de mesas e arranjos, a lichia deve ser colhida e comercializada em galhos. As frutas são tiradas do pé manualmente. Na própria colheita, é feita a limpeza dos cachos com retirada das frutas ruins. O ponto ideal para colher é quando as lichias ficam vermelhas.
Sato e Kimura embalam a produção em caixas de papelão confeccionadas originalmente para uvas. Com objetivo de garantir uniformidade às embalagens, eles utilizam formas que ajudam a acomodar os galhos, folhas e frutas nos recipientes. ''Os fornecedores exigem esse cuidado. A venda é visual'', ressaltou. Segundo ele, produtores inexperientes costumam comercializar o produto despencado em cumbucas de isopor. A prática desvaloriza a produção porque diminui o valor ornamental da mercadoria.

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