A sobrevivência de suinocultores autônomos depende da redução dos custos de produção, principalmente no item alimentação, que corresponde a 80% dos gastos na criação. A busca de alternativas com o uso de insumos com custos mais baixos e eficientes tem norteado os trabalhos de pesquisa no Centro de Produção e Experimentação de Pato Branco, pertencente ao Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Foram avaliadas a soja, como componente protéico e a mandioca, como componente energético.
Para repassar os resultados de pesquisa aos produtores, será realizado nos dias 22 e 23 deste mês, na estação do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) em Pato Branco, curso sobre ‘‘Elaboração e manipulação de rações para suínos’’. O objetivo é capacitar os participantes na elaboração de rações. Do programa constam temas como necessidades nutritivas dos suínos; gestação, lactação, crescimento, terminação, reprodução; insumos convencionais e não convencionais, vitaminas e minerais.
CustosSegundo o pesquisador Luiz Marcolina, veterinário responsável pelos trabalhos nesta área, a indústria recomenda 5 a 6 tipos de rações que devem ser administradas nas várias fases de crescimento dos animais. Os concentrados comerciais já vêm com os componentes balanceados.
Se o produtor optar para fazer sua própria ração, ele deve seguir as recomendações da pesquisa, para não prejudicar o ganho de peso dos animais. ‘‘Queremos neste curso orientar o produtor para que ele possa balancear os nutrientes das rações, adequando fontes de proteína, energia, vitaminas e minerais’’.
Segundo Marcolina o custo da ração feita pelo produtor varia de R$0,15 a R$0,18 o quilo, o que representa uma boa economia se comparada ao preço da ração pronta, que está entre R$0,22 e R$0,25 o quilo. ‘‘A conversão alimentar com a ração caseira é comparável com a formulação comercial, dando uma resposta biológica similar durante todo o ciclo de vida dos animais, tanto aos destinados ao abate como para reprodução’’, informa Marcolina.
Substituir o milhoO Programa de Suínos do Iapar direcionou seus experimentos em duas linhas de pesquisa: uma na linha de energéticos, utilizando a mandioca e outra dos protéicos, utilizando a soja integral.
Dos alimentos energéticos utilizados, o principal tem sido o milho. Mas esta opção está se tornando cada vez mais escassa e com grande oscilação de preços. O aproveitamento humano deste cereal e o significativo aumento da população avícola têm provocado grande variação na disponibilidade do milho, acarretando desequilíbrio econômico, o que se reflete na produção da carne suína.
Considerando a baixa rentabilidade da suinocultura em alguns sistemas de produção, buscou-se a utilização da mandioca para substituir o milho. ‘‘Temos bastante informação técnica que demonstra ser a mandioca uma boa fonte energética para preparar diferentes dietas para diferentes ciclos de vida dos suínos’’, informa Marcolina.
A utilização da mandioca amarga integral dessecada, suplementada ou não, foi avaliada no desempenho de suínos em crescimento. O preparo da mandioca da variedade conhecida regionalmente por ‘‘pessegueira brava’’ foi feito triturando-a em moinho desintegrador e espalhando-a em terreiro para desidratar com a ação do sol e ventos. A substituição do milho pode ser parcial ou total, tanto na fase de gestação quanto lactação de suínos.
Para a utilização da soja em alimentação de suínos é necessário que o grão seja tratado por meio de calor, para eliminar os fatores antinutricionais e tóxicos. Entre estes fatores, os mais estudados são o fator antitripsina, que funciona como inibidor da enzima digestiva, e o fator hemaglutinina que promove a aglutinação dos glóbulos vermelhos do sangue de várias espécies animais e humanas. Existem diversos métodos para processar a semente de soja, que incluem o tratamento com calor úmido ou seco.
De acordo com informações da Estação Experimental de Pato Branco, os resultados que avaliam o valor nutritivo da soja integral indicam que o seu valor energético e protéico é muito bem utilizado pelos suínos em crescimento e terminação, porém menos eficiente para leitões e suínos de menor porte, até 20-25 kg de peso vivo.
ServiçoO processamento e balanceamento das rações alternativas vai ser demonstrado durante os dois dias do curso, programado os dias 22 e 23 e aberto a suinocultores e estudantes de colégios agrícolas. Pré-inscrições: fone fax (046) 225-3183; E-mail [email protected].

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