Raças zebuínas puras podem acabar
Uma missão oficial do governo brasileiro, integrada por diretores e técnicos da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), passou vinte dias na Índia, tendo como objetivo aferir a potencialidade do material genético do zebu indiano para refrescar o sangue do plantel brasileiro de elite. Ao mesmo tempo constatou que, naquele país - embora ainda existam linhagens que podem servir ao rebanho do Brasil -, está havendo interesse pelo zebu brasileiro, especialmente as raças leiteiras.
O presidente da ABCZ, Rômulo Kardec, integrou a missão oficial e disse que existe ainda na Índia material genético de boa qualidade que interessa ao Brasil, destacando-se as raças gir, nelore e guzerá. Também podem interesssar ao Brasil as raças de búfalos murrah e jafarabade. Kardec revelou que a análise dos animais das raças sindi e saival, zebuínas leiteiras, não gerou informações suficientes para recomendação sobre se devem ou não ser importadas.
Mão duplaAntes de ser formada a base do rebanho zebuíno brasileiro, havia uma estrada de mão única por onde vinham os reprodutores indianos. Agora está sendo criada uma mão dupla porque, afirmou o presidente da ABCZ, o Brasil tem material genético excelente, e por isso a Índia está interessada em importar zebuínos do Brasil. Kardec informou que entidades de pesquisa e universidades, além do ministro da Agricultura da Índia e de outros representantes do governo daquele país, demonstraram que há interesse em material genético de gado leiteiro.
Baseando-se no que observara na viagem à Índia, Rômulo Kardec, em nome da ABCZ, concluiu que é necessário apressar a importação de animais indianos, porque está diminuindo o plantel de zebuínos puros, de qualidade, naquele país.
Além da consaguinidade no rebanho em geral, um programa do governo indiano, para cruzamentos de zebuínos com raças leiteiras européias (principalmente holandês, jérsei e pardo-suíço), contribuiu para o desaparecimento de raças puras na Índia. Há cruzamentos indiscriminados entre raças zebuínas, entre zebuínas e européias para leite e isso está acabando com o material genético das raças puras que não se misturam na Índia, observa Kardec. A Índia, segundo a FAO, possui o maior rebanho bovino do mundo. O Brasil tem o segundo maior rebanho.
Kardec observou também, naquele país, que a agricultura vem ocupando regiões férteis, obrigando o gado a subir para as montanhas, onde existem acasalamentos sem qualquer controle e critério. O aumento da população contribui, de forma indireta, para a extinção do zebu puro, porque o boi é considerado sagrado na Índia, anda livre pelas ruas, dorme em passeios (calçadas) e até em casas. Essa liberdade permite que os animais comam o que encontram, principalmente o lixo produzido nas cidades.
Por questões religiosas, como abstinência de carne bovina, os indianos não incentivam o melhoramento genético de raças de corte. O gado come muito material plástico, que pode levar à morte em pouco tempo, disse Kardec. Ele advertiu: Talvez esta seja a nossa última chance de trazer material genético puro.ArquivoReviravoltaDescendente de animais importados da Índia, os zebuínos brasileiros podem agora melhorar o plantel indianoJota Oliveira





