Raça brangus também terá carne própria
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sexta-feira, 15 de junho de 2001
Cláudia Barberato De Londrina 
Em breve o consumidor poderá escolher nas gôndolas de supermercados sua porção de carne também pela raça do boi. Essa realidade será respaldada pelos programas que estão sendo criados por pecuaristas brasileiros na defesa de que as raças que criam podem oferecer maior maciez, textura, sabor, marmoreio (porção de gordura entremeada na carne), entre outras características que indicam qualidade superior.
Como o pecuarista pode obter qualidade de carne semelhante de várias raças, cruzadas ou puras, no padrão exigido pelo consumidor, cada criador deverá buscar, dentro da raça que cria, a possibilidade de destacar seu produto. Uma das saídas que algumas associações têm encontrado é a formação de alianças mercadológicas, reunindo do produtor a indústria e até pontos de distribuição (boutiques de carnes) para conseguir competitividade.
Carne brangus A exemplo de outras raças, criadores do bovino brangus, de 47 fazendas espalhadas por todo o País, montaram desde 1999 o programa Red Beef Conection. No primeiro ano eles controlaram 80 mil vacas e seus produtos (filhos), para fazer a rastreabilidade da carne. Esse ano deverão controlar 150 mil vacas. Cada propriedade soma uma média de 1.500 vacas e o mínimo para participar do programa é ter 500 vacas.
Cada vaca tem seus produtos controlados do nascimento ao abate, independendente do sistema de produção (pasto, confinado ou semiconfinado), para abate entre 20 e 22 meses de idade. Até agora os abates foram feitos para venda da carne em alguns pontos de distribuição. O objetivo agora é exportar nosso produto, conta Luiz Eduardo Batalha, pecuarista e presidente de grupo.
Abates para exportação Os primeiros abates para exportação serão realizados a partir de julho desse ano. Segundo Luiz Batalha o que não for exportado será colocado como carne top no mercado interno. Eles calculam abater até o final do ano 40 mil animais.
Para divulgar o programa, os criadores do Red Beef farão um encontro internacional e leilão nos dias 29 e 30 desse mês. O evento é uma promoção da Chalet Agropecuária, empresa de Luiz Batalha, e produtora de brangus. O objetivo é comprovar habilidades da raça, eficiência no abate mais cedo e qualidade de carne, garante Batalha. Além de palestras sobre tecnologias adotadas na criação do brangus haverá venda de animais da raça.
Setor organizadoLuiz Batalha explica que o programa foi montado para obter maior volume de produção, uniformidade, regularidade e padrão na produção. Não adianta o bom criador, isoladamente, produzir animais de qualidade, mas sem volume e com isso não conseguir melhor remuneração para seus animais. Por outro lado, não adianta também produzir uma boa carne mas não ter regularidade no abastecimento do mercado, avalia Batalha.
Na opinião de Batalha, o produtor deve se organizar, assim como aconteceu no setor do varejo, por exemplo. Frigoríficos e produtores estão espremidos pelo setor varejista que depois de muitas fusões cada vez mais determina regras de mercado.
Parceiros do programa O Red Beef reúne hoje, além dos pecuaristas, uma empresa de venda de genética, a Lagoa da Serra; uma indústria de nutrição animal, a Tortuga; uma empresa fabricante de brincos eletrônicos, a Allfex; e o Frigovira, uma indústria com seis plantas no País, sendo uma delas para desossa e preparação de produtos em cortes prontos. Os códigos de barra nos brincos servem para reunir as informações sobre o animal desde o nascimento.


