'Quilo se desvaloriza R$ 0,10 por semana'
Há mais de 40 anos criando suínos na região de Rolândia, Anésio Tribulato desabafa que nunca viu uma crise na suinocultura igual a que está vivendo no momento. ''A suinocultura sempre vivenciou períodos de crise, mas logo passava. Esta é a pior que estou vendo e não há expectativa de melhorar'', lamenta Tribulato. Segundo ele, o sustento da família só é garantido pelas outras atividades que exerce junto com a suinocultura.
Tribulato planta soja e milho em sua propriedade e boa parte da produção é direcionada para a alimentação dos animais. ''Produzo cerca de cinco hectares de milho e direciono parte para a suinocultura. Se eu tivesse que comprar insumos, o prejuízo seria bem maior'', explica. O criador enfatiza que a carne está se desvalorizando cada vez mais.
Hoje, o suinocultor possui 600 matrizes e direciona toda semana 300 animais para frigoríficos da região. Nessa semana, ele recebeu por volta de R$ 1,75 o quilo. ''De uns tempos para cá, o quilo do animal vem se desvalorizando cerca de R$ 0,10 por semana''. O produtor aponta que no ano passado os preços pagos pelo produto variavam entre R$ 2,40, R$ 2,50, índices que lhe trouxe lucros.
Tribulato chega a gastar até R$ 200 mil por mês na manutenção da granja, o que inclui o pagamento de seus 14 funcionários. Porém, revela que só consegue manter toda essa estrutura porque a agricultura está bancando a atividade. Tribulato alerta que o governo brasileiro deve negociar com os russos porque o suíno tem que ser exportado para que o setor melhore.
''Não pretendo sair da atividade porque só sei mexer com porco. Quase minha vida inteira trabalhei com isso'', observa o produtor. Tribulato conta que quando iniciou na atividade chegou a ganhar muito dinheiro porque não existia muitos suinocultores no noroeste do Paraná e era um dos principais fornecedores da região.





