Em tempos de vacas gordas, a diversificação surge na propriedade rural como mais uma fonte de renda para o produtor. Entretanto, em momentos de crise, encontrar cultivos alternativos à produção de grãos é sinônimo de sobrevivência. Para evitar cair num buraco do qual não se conhece o fundo, os agricultores do Norte paranaense estão investindo na fruticultura para, ao menos, colocar as
contas em dia.
  Os resultados já obtidos nas iniciativas concretas da fruticultura na região de Cornélio Procópio, por exemplo, fundamentam a potencialidade da bananicultura, citricultura, viticultura, frutas de caroço, além do abacaxi e do maracujá, em menor expressão.
  Segundo o engenheiro agrônomo Ciro Marcolini, da Emater de Cornélio Procópio, a citricultura teve início na região em 1994, em Nova América da Colina. Naquele ano, a área cultivada era de apenas nove hectares e envolvia seis pequenos produtores que tinham como objetivo principal produzir
frutas para o mercado in natura.
  A boa rentabilidade da laranja contribuiu para a estabilidade das pequenas propriedades e incentivou a formação de grupos produtores, como o Nova Citrus, o qual engloba hoje 50 associados de Nova América e municípios circunvizinhos, que já contam até mesmo com estruturas de packing house. ‘‘A região já contabiliza
mais de 400 hectares de pomares
plantados’’, calcula Marcolini.
  Ele ressalta que com a expansão da Corol Cooperativa Agroindustrial de Rolândia para Cornélio Procópio, a citricultura ganhou uma nova vertente: a produção de laranja para fabricação de suco concentrado. ‘‘Esse novo mercado levou a Emater a buscar parcerias para o fortalecimento e consolidação da atividade na região’’, conta.
  O citricultor Mario Yocisuke Sato, de Nova América de Colina, é um dos pequenos produtores que buscou na laranja a renda para pagar as dívidas deixadas pelo algodão e o milho. Ele cultiva 10,8 hectares com seis variedades diferentes de citros para mesa. Sua meta, diz ele, é escalonar a produção para variar o tempo de colheita e assim conseguir atender o mercado durante o ano inteiro. ‘‘Atualmente já consigo fornecer de março a novembro’’, comemora.

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