Questão de gosto
O pequeno agricultor José Antônio Serafim, que este ano plantou cerca de 50 hectares de trigo na Gleba Pinguim, em Maringá, diz que ‘‘gosta da lavoura’’. Trabalhando junto com a família, ele acredita que vai ‘‘empatar’’. Primeiro porque não fez todos os tratos necessários durante o desenvolvimento da lavoura, e depois porque está fazendo um manejo mais na mão do que no agroquímico. Na semana passada ele, a mulher e o pai arrancavam aveia no meio do trigo. ‘‘A gente sabe que não dá resultado em dinheiro, mas leva com capricho’’, afirma.
Com uma pequena propriedade na região, em torno de 15 hectares, Vicentini ainda arrenda uma área de 35 hectares para plantar trigo. ‘‘Faz 10 anos que planto trigo, e o pessoal se assusta de uma área tão pequena, mas a gente faz assim para não deixar a terra limpa, porque lucro mesmo não dᒒ, confessa. Ao contrário dos vizinhos, que plantam grandes áreas ou já optam há alguns anos pelo milho safrinha, Vicentini tem a resposta certa. ‘‘O milho dá o mesmo trabalho, e apesar de ter um custo menor, na hora que todo mundo colhe o preço também cai’’, garante.
Para a safra atual, o produtor espera colher entre 80 e 100 sacas por alqueire. O suficiente para cobrir os custos. ‘‘Se der lucro, é muito pouco’’, desconversa. O que falta para a lavoura de trigo, segundo Vicentini, é mais estímulo do Governo. ‘‘Sem nenhum incentivo o trigo vai mesmo acabar. Aí a gente fica na mão dos estrangeiros, se é que já não estamos’’, calcula. Ele acredita ainda que, plantando trigo, sem levar prejuízo, tem chances de melhorar o rendimento da soja na próxima safra. ‘‘Mas vamos esperar para ver quanto vai dar’’, diz.(M.Z.)

mockup