O produtor Hugo Raul da Silva, de Abatiá, no Norte do Estado, foi um dos que obteve a certificação de comércio justo. Há cerca de um ano, Silva passou a integrar a Cooperativa de Cafés Especiais e Certificados do Norte Pioneiro do Paraná (Cocenpp). Na propriedade de cerca de 31 hectares que administra ao lado da esposa, produz 26 hectares com café e o restante com alfalfa.
O cafeicultor lembra que as primeiras mudanças necessárias para se adequar aos critérios do selo envolveram a profissionalização da atividade e, para isso, a família realizou curso de poda, desbrota, aplicação de agrotóxicos, organização da propriedade e empreendedor rural. Em seguida, foram feitos investimentos em infraestrutura na propriedade, com a construção de um terreirão coberto para secagem do café, aquisição de um lavador de café, de uma máquina para beneficiar o grão e de um despolpador, equipamento comprado em 2009 que descasca o café já maduro.
Silva e a esposa, Rosinéia da Silva, destacam a organização da atividade como uma das principais transformações pelas quais passou a propriedade. A família mantém cadernos em que registra anotações diárias de controle de gastos e rendimentos. ''Assim, controlamos de onde está vindo e para onde está indo o dinheiro'', conta Rosinéia. Para atender as exigências da certificação, a família separou os agrotóxicos, isolando-os para evitar o contato de outras pessoas, animais, ou com o solo. A casa de veneno permanece trancada e contém uma lista com os produtos de uso autorizado. ''O fair trade resultou em melhorias e facilitou muito o trabalho, que era muito mais difícil antes. É uma melhoria de vida e não uma exigência'', analisa Silva.
O agricultor nasceu na região e costumava arrendar terras com produção de outras culturas. Em 1995 iniciou as atividades com café e em 1999, com a primeira colheita, comprou cerca de dois hectares para plantar o grão. Em 2002, conseguiu um lote através do Banco da Terra e em 2004 ampliou a área do cultivo. ''Foi quando a situação começou a melhorar'', relembra Rosinéia. A produção em 2010 totalizou 500 sacas beneficiadas. ''Meu pai carpia com a enxada, mas eu não preciso fazer igual. Adquiri conhecimento com meu esforço e dedicação e posso passar para os outros. Trabalho mais com a mente do que com corpo'', comenta.
Em relação à maior rentabilidade trazida pelo selo, Silva lembra que ela é resultado das exigências do mercado internacional. O cafeicultor calcula que se tivesse obtido a certificação em março, teria recebido entre R$ 40 mil e R$ 50 mil a mais este ano, em função de uma venda feita no início de 2011. Silva ainda terá que fazer outras adaptações na propriedade para se manter com o selo, como reflorestar, proteger minas d'água e a mata ciliar. ''Não tenho paciência para ficar parado no tempo, quero sempre melhorar. Essas mudanças melhoram a nossa qualidade de vida e facilitam o trabalho. Vimos que dá resultado e fomos atrás dele'', ressalta Silva.(M.F.)

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