Quero me aposentar aqui
Para quem olha de fora a atividade dos cortadores ou colhedores de cana imagina um trabalho tipo de ''quem não tem como arrumar outro emprego''. Mas numa rápida conversa com esses trabalhadores há muita gente satisfeita com o que faz, como José Antonio da Silva, 51 anos, da cidade de Cafeara, na atividade há 22 anos. ''Gosto muito do que faço e quero me aposentar aqui'', garante.
Há dois anos, ele trouxe para os canaviais também a esposa Marinês dos Santos Silva. ''O tempo vai passando e a gente não consegue manter o mesmo rendimento, então era preciso que alguém me ajudasse a ganhar uns trocados'', justifica sem perder a motivação. Na semana passada ele participava pela segunda vez do curso do Senar. A melhor novidade nos treinamentos, afirma, foi conhecer a usina, no ano passado. ''Comi melado até me lambuzar. E os torrões de açúcar, uma beleza!'', conta.
Parece que o prazer pelo serviço contaminou também dona Marinês que não reclama nem mesmo de ter que acordar às 4 da manhã para preparar as marmitas. ''É gostoso lidar com a cana'', resume. O fim do dia de trabalho do casal também termina bem cedo. ''No máximo às 7h30 (19h30) já estamos dormindo'', revelam.
A presidente do sindicato, Ana Thereza, admite que além dos trabalhadores tradicionais da atividade, os canaviais estão recebendo muitas pessoas que migraram de outros setores. ''Há demanda de mão-de-obra, temos até empresas paulistas que vêm aqui em busca de cortadores'', afirma destacando a importância do cursos na profissionalização do serviço.
Entre os assuntos do módulo avançado de cana, conforme a instrutora Elisangela Domingos, estão tipos de corte; ferramentas de trabalho; equipamentos de proteção individual (EPI); segurança; condições de higiene; estratégias de ganho de rendimentos. ''A qualidade do corte influi diretamente no produto final'', afirma.
Para a produção de açúcar, por exemplo, o maior teor de sacarose está na base da cana. ''Por isso, o corte precisa ser rente ao solo. Quanto maior forem os 'tocos' deixados nas soqueiras, menor será a porcentagem de açúcar produzida'', explica. Além da queda na produção, os tocos ''abrem portas para a entrada de fungos, bactérias e brocas, que comprometem a qualidade da rebrota da cana'', ensina.





