O casal Eloy e Cleide Muller está rindo à toa. O morangal nunca esteve tão produtivo. Estimulada pelo clima seco, a lavoura deverá produzir até 1,5 quilo de morangos por planta nesta safra, conforme estima o produtor, que cultiva 8 mil pés em uma área de 2 mil metros quadrados localizada no distrito da Warta, em Londrina.
Sem chuva, o produtor não tem se preocupado com doenças como a antracnose popularmente conhecida como flor preta , que é causada por um fungo e danifica a flor e o fruto do morangueiro. ''A umidade favorece a proliferação do fungo, mas com o clima seco, ainda não tive problemas'', comemora.
Mais importante que o clima favorável, ressalta Muller, foi a escolha das mudas, adquiridas de um viveiro em Ponta Grossa. ''As mudas são filhas de matrizes importadas do Chile e adaptadas às condições brasileiras'', diz. Metade do morangal foi cultivado com a variedade camarosa e o restante com a variedade camino real. ''Como as mudas são climatizadas, não sofrem com a necessidade de frio para a floração'', completa o produtor.
A colheita começou no final de junho e deve se estender até a primeira quinzena de outubro. Além do casal, outros dois funcionários trabalham na coleta e embalagem dos morangos. Toda a produção é comercializada em Londrina, na Feira do Produtor, sacolões e venda direta na propriedade. A caixa com quatro bandejas tem sido comercializada por até R$ 6. ''A margem de lucro chega a 40%'', calcula Muller.
Os cuidados com o solo, assinala, foram fundamentais para o bom andamento da safra. Antes do plantio das mudas, o produtor preparou a terra com adubo feito de farinha de osso e torta de mamona. Depois aplicou defensivo à base de cobre e enxofre para controlar o mato e prevenir contra possíveis infestações.
Apesar de climatizadas, as variedades sofreram um pouco a influência do calor, informa o produtor. ''Os frutos têm sido colhidos ainda pequenos porque têm amadurecido mais rápido que o normal'', diz.
A irrigação por gotejamento também garante a sanidade do morangal. Para evitar a umidade da planta, o fruticultor irriga o solo a cada 15 dias, sempre no período da manhã. Trinta dias após o transplante das mudas, a lavoura foi coberta com lona para evitar o crescimento do mato. Esse ano, Muller resolveu utilizar um plástico de cor branca, que além de esquentar menos, proporciona um amadurecimento mais lento da fruta.
O produtor cultiva morangos há mais de uma década e sempre rotacionou a área destinada à cultura para evitar doenças. O local que hoje abriga o morangueiro já foi semeado com milho, aveia e até uma antiga parreira de uvas. ''Procuramos manter a lavoura sempre limpa, retirando folhas velhas e espalhando sepilho nos canteiros'', afirma.

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