Quem produz organiza melhor
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sexta-feira, 20 de junho de 2003
Reportagem Local 
Produtos bonitos e com qualidade nas gôndolas dos supermercados, muitas vezes, não dependem exclusivamente dos funcionários da reposição. Tem agricultor que assume o serviço de abastecimento de verduras e frutas. ''Também somos consumidores e temos que nos colocar no lugar deles para oferecer produtos com qualidade'', afirma Yoshio Furukita, 70 anos, produtor e fornecedor de cheiro verde, hortelã, manjericão e couve para 14 supermercados de Londrina.
A rotina do trabalho de reposição Furukita divide com a esposa Shizue e um filho. ''Fazemos reposição até quatro vezes por dia'', garante. A organização dos produtos nas gôndolas é responsabilidade de Shizue que atua até mesmo como promotora de vendas junto aos consumidores. Para que, todos os dias, antes das sete da manhã, estejam nas ruas entregando a mercadoria eles ''pulam'' da cama ainda na madrugada, por volta das três horas. A atividade começa sempre no dia anterior à entrega, com a colheita e a pré-classificação dos produtos, realizada por funcionários na propriedade em Ibiporã (14 km a leste de Londrina). ''O que vem da roça nunca é perfeito'', resume.
Depois, na casa deles em um bairro na área central, Shizue se encarrega de terminar a classificação, formar os maços de temperos e os lotes de produtos por loja. Tudo com muito cuidado para garantir a qualidade e a beleza dos vegetais. ''Sempre digo a meus funcionários que devemos produzir aquilo que somos capazes de comprar'', enfoca Furukita.
As quantidades dos produtos são pequenas para que não murchem, por isso, se encarregam da reposição várias vezes durante o dia. Essa preocupação com bons produtos garantiu a eles exclusividade em algumas lojas da cidade. ''É preciso ter sempre coisa boa'' , justifica Shizue. A dedicação com os produtos da horta para o casal, têm também uma função terapêutica: ''gostamos muito do que fazemos''.
O consumidor, apesar de ser o alvo principal do trabalho do casal de produtores, são para eles, os responsáveis pela quebra na qualidade dos temperos expostos. ''O comprador não tem muito cuidado na escolha dos macinhos, jogam de um lado para o outro, e as folhas se quebram ou amassam'', reclamam. Todo produto visualmente feio, é retirado da área de venda e levado pelos Furukita, que assumem essas perdas. ''Quando têm condições de uso doamos para pessoas carentes, quando não, vão para o lixo'', revelam.
Yoshio Furukita reclama também da falta de organização entre os produtores, o que provoca excesso de oferta e consequentemente queda no preço. ''É preciso usar a cabeça e plantar de acordo com a demanda de mercado'', observa. Para ele, as reduções de preço têm ainda a participação de ''aventureiros'' da horticultura, que entendem o cultivo apenas como meio de sobrevivência e esquecem da dedicação que essas plantas exigem. Assim, com produtos de baixa qualidade, se colocam na concorrência atraindo o comprador com preço. ''O consumidor é quem paga o pato'', adverte Furukita.


