Quem plantou trigo no pó teve sorte
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sexta-feira, 10 de maio de 2002
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
As chuvas dos últimos dias deverão proporcionar boas condições para o plantio da safra de trigo em todo o Paraná. Quem plantou no pó, ou seja, antes da chuva, deverá ter lavouras bem germinadas. Foi uma sorte, analisa o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Sérgio Luiz Gonçalves, do setor de agrometeorologia da entidade. Se a chuva tivesse vindo em menor quantidade essas sementes corriam o risco de apodrecerem no solo ou, mesmo depois de germinadas, as plantas poderiam morrer pela falta de umidade necessária no solo.
O agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná Otmar Hubner, acredita que 35% dos plantios de trigo tenham sido feitos antes das chuvas e que as lavouras deverão ter um bom desenvolvimento. Agora, com novas chuvas durante a semana, dependendo da quantidade e da distribuição, segundo o agrônomo, o agricultor deverá esperar de um a dois dias para entrar com as máquinas preparando o solo ou realizando o plantio.
Alívio para o agricultor
Os chuviscos do fim de semana, a chuva da última segunda-feira e depois mais chuva no meio da semana devolveram a umidade que a terra precisava para receber o trigo. Teve agricultor que aproveitou o intervalo das chuvas durante a semana para fazer o preparo do solo e deverá realizar o plantio nos próximos dias.
Segundo Gonçalves, com o zoneamento feito para escolha das regiões mais propícias para o plantio do trigo no Paraná a maior concentração está na chamada Zona A, que se desdobra em A1 e A2. Boa parte do plantio é feito no sistema de cultivo direto. Na Zona A1 a orientação técnica é que o plantio do trigo seja feito até o dia 10 de maio (o prazo venceu ontem) e na Zona A2 no dia 20. Isso para garantir, além de bom desenvolvimento, que a lavoura não corra muitos riscos nos meses de junho e julho com prováveis geadas ou sofra com chuvas no período da colheita, em setembro, que prejudicariam a qualidade do produto.
Trigo no lugar da safrinha
Esse ano, na Zona A1, que engloba Cornélio Procópio, Santo Antonio da Platina, entre outros municípios, as áreas plantadas de milho safrinha foram prejudicadas pela seca. Nesses locais, sem alternativas, o agricultor deverá incorporar o milho perdido ao solo e apostar no cultivo do trigo.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Seab), a quebra na safrinha chega a 29%. Nesses casos o agricultor que não conseguir aproveitar parte do material para vender como alternativa de alimentação animal terá que incorporá-lo ao solo e plantar o trigo ou outra cultura de inverno.
Na Zona A2, que compreende as regiões de Umuarama, Cianorte, Maringá, Apucarana, Londrina, Ibaiti, São José da Boa Vista e outros o prazo para plantio do trigo vai até o dia 20 e ainda há tempo de fazer o preparo e plantio.
De acordo com Paulo Caramori, também do Iapar, em alguns pontos da chamada Zona A já choveu o suficiente para iniciar o plantio. No dia 30, por exemplo, foram 57,5 milímetros (mm) em Londrina, 48,8 em Maringá, 60 mm em Paranavaí, 66 mm em Apucarana e 63,8 mm em Umuarama, localidades que estão dentro do zoneamento para cultivo do trigo.
Expectativa de maior área
Esse ano o Paraná deverá, segundo dados do Deral, ter uma área de plantio de 988 mil hectares contra 881 cultivados no ano passado, o que representa um crescimento de 13%. Segundo o agrônomo Otmar Hubner esse cultivo poderá até ser maior devido ao estímulo de preço mínimo para a cultura. Esse ano será de R$ 285 a tonelada contra R$ 225 do ano passado. Há também uma certa garantia de compra pelas indústrias nacionais que em muitos casos têm praticado preços acima do mínimo estipulado.
É provável na opinião do técnico que a área aumente também naqueles locais em que foi cultivada a safrinha de milho, afetada severamente por uma seca que durou mais de 60 dias. Nesses locais o milho deverá ser apenas incorporado ao solo, não restando alternativa para o agricultor que deverá plantar o trigo ou outra cultura de inverno para não deixar o solo descoberto.
Sobe e desce
Nos últimos 20 anos, a maior área colhida de trigo do Paraná aconteceu em 1986 quando se chegou a 1 milhão e 946 mil hectares. Em 1994 o Estado colheu uma de suas menores áreas: 630 mil ha. Depois, em 1996, a área colhida subiu 1 milhão e 85 mil ha. Em 2000, por causa das geadas, a área colhida foi 429 mil ha. Esse ano será preciso esperar para ver como se comporta o clima.


