O mercado de commodities vai ter que se acostumar a trabalhar com os riscos provenientes da instabilidade da moeda norte-americana. A necessidade do agricultor compreender os mecanismos existentes de comercialização, visando uma maior proteção cambial, ganha fundamental importância nos dias atuais.
Pressionado pelo câmbio, o mercado interno deixa de se beneficiar com os fortes ganhos registrados na Bolsa de Chicago.
Este não é o único fator a inibir as vendas no mercado físico. Capitalizados pela venda do milho e porque mais de 50% da safra de verão já foi negociada, os produtores ''sentaram em cima da soja'', no dizer dos operadores de mercado, e não têm pressa para vender. Esta apatia do mercado pode durar até o final do semestre.
Quem fixou o preço antecipadamente em dólar está de certa forma garantido. Mas a situação mais confortável é daqueles que fixaram no momento da compra de insumos, desde que tenham ''travado'' o dólar no preço do dia e não na data do vencimento do contrato.
''O ideal é que ao fazer a pré-comercialização o dólar tenha sido travado na mesma época. Semelhante a um hedge'', sugere o analista Stael Prata Silva Neto, da FNP Consultoria, consultado nesta quarta-feira por este jornal.
Também está em posição confortável aquele produtor que negociou a soja levando em conta o custo de produção mais uma margem de lucro que garante uma boa relação de custo benefício, segundo Stael.
Não foi prejudicado com a queda do dólar aquele agricultor que fez a pré-comercialização e fixou o preço em dólar, e travou o dólar no valor do dia da negociação. Ele não correu o risco da variação cambial e acertou. Nessas condições, o melhor momento para fechar o contrato foi em dezembro, com a saca de soja a uma cotação média de US$ 13,51. Foi o momento em que a soja, em reais, chegou a R$ 49,26/saca. A média do dólar no mês foi R$ 3,65/US$ 1,00.
A média do dólar em outubro foi maior, R$ 3,80, mas nem sempre o dólar é o único referencial, tanto que naquele mês a média da soja foi de R$ 45,00, ou US$ 12,07.

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