Quem não arrisca não petisca
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sexta-feira, 22 de abril de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
A diversificação das atividades agrícolas foi a salvação da lavoura para o casal de agropecuaristas Antonio Emiliano e Tatjana Leal da Cunha, donos da Fazenda Santa Juliana, em Sarandi (7 km a leste de Maringá). A propriedade de 70 alqueires, que antes cultivava apenas café, sofreu uma reviravolta e hoje produz desde suco de uva, melado, rapadura e cachaça até filé de tilápia, carro-chefe das vendas, que são feitas diretamente ao consumidor, em Maringá.
A idéia de transformar o perfil da fazenda partiu de uma sugestão da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), que aconselhou o casal a produzir tilápias numa área de brejo. ''Onde hoje são os tanques, antes era só brejo. Nem o gado queria ficar naquele lugar'', brinca Tatjana. Ela conta que no início, a produção abastecia apenas os pesque-pague da região, mas como os clientes demoravam a pagar, a produção passou a atender donas-de-casa e restaurantes da região.
No total, a propriedade conta com 18 tanques. O processo de engorda, explica Tatjana, tem início em quatro tanques, onde os alevinos são alimentados por um mês. Depois, eles são levados para outros três tanques, onde são selecionados por tamanho. Quando atingem 200 gramas, os peixes são transferidos aos tanques maiores, onde permanecem por mais seis meses até o abate. ''Em tanques forrados conseguimos criar até cinco peixes por metro quadrado'', aponta. Hoje, a produção da fazenda gira em torno de 70 mil tilápias.
Segundo Tatjana, os peixes são pesados mensalmente e os resultados são transferidos para uma planilha de computador. ''Dessa forma é possível controlar a alimentação e produzir um filé de melhor qualidade''.
Antes de serem finalmente abatidos, os peixes passam 24 horas imersos num tanque de depuração, com água corrente, mas sem receber alimento. Este processo retira o sabor de terra, alga e barro do filé. Em seguida, as tilápias são mergulhadas em água gelada para sofrer choque térmico e facilitar o abate. ''Depois de abatido, o peixe é limpo, filetado, escorrido e embalado'', enumera Tatjana. O abate ocorre pelo menos três vezes por semana ou de acordo com a demanda. Cada quilo de peixe produz cerca de 300 gramas de filé, que é comercializado a R$ 14,00/quilo.
Tatjana ressalta que toda a produção é ecologicamente correta. Uma mina abastece os tanques e cada tanque tem uma saída independente de água. A sala de abate foi contruída em mármore e azulejo e possui ar condicionado. Além disso, todas as sobras da filetagem são destinadas a compostagem.


