Dois Vizinhos - A produção do setor avícola do Paraná vai ''de vento em popa''. De janeiro a agosto deste ano, 821 milhões de cabeças de frango foram abatidas pelas indústrias, um desempenho 2,39% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O Estado é líder nacional desde 2000. O produto daqui segue, principalmente, para o mercado internacional. E o segmento ainda prevê crescimento de até 10% para o segundo semestre deste ano, em especial para as exportações.
Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias dos Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, empresas vêm ampliando seus negócios em mercados na Ásia e Oriente Médio, em especial Arábia Saudita, Hong Kong e Japão. Para ele, a qualidade do frango de corte produzido no Estado é motivo de comemoração. ''Nosso desafio é manter essa posição de destaque nacional tanto na produção quanto nas vendas de aves, incentivando os avicultores do Estado a continuar priorizando o controle e na qualidade do frango que é produzido aqui'', disse, em nota.
Mas, todo esse resultado positivo tem um custo. E, segundo os produtores, esse custo tem sido alto. O presidente da Associação e Cooperativa dos Avicultores do Sudoeste do Paraná (Aaspar), Amarildo Brustolin, faz a conta para explicar como está a situação dos avicultores da região. ''Cerca de 20% se mantêm bem na atividade. Outros 60% estão vegetando. E 20%, quebrando''.
De acordo com Brustolin, que também é presidente da comissão de aves da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), toda a produção da região é absorvida pela unidade da Sadia de Dois Vizinhos, que abate cerca de 500 mil aves por dia. São 814 propriedades integradas, totalizando 1,2 mil aviários. E apesar de, no sistema integrado, o produtor receber os pintainhos (pintinhos de um dia), a ração para alimentá-los, assistência técnica e acompanhamento veterinário, a parte que cabe a ele teria ficado muito pesada.
''O sistema exige reinvestimento todos os anos, para readequação às novas tecnologia. Os equipamentos ficam obsoletos em muito pouco tempo. Não temos mais lucro. No final das contas, fica seis por meia dúzia'', afirma o avicultor.
O valor recebido pelo integrado leva em conta o volume produzido e o preço de mercado do frango vivo. Também há um percentual de produtividade que considera os resultados de ganho de peso, taxa de mortalidade, conversão alimentar e indicadores de qualidade das aves entregues. É assim que a empresa integradora avalia quem deve receber mais ou menos pelo trabalho executado.
Segundo Brustolin, o investimento mínimo para uma produção de oito lotes ao ano (o lote tem cerca de 20.400 aves) estaria em R$ 162 mil. A remuneração por lote de aves com 30 dias tem girado em torno de R$ 5 mil. ''Tem uma parte dos associados que acha que está bom, que está indo bem. Mas eles nunca colocaram no papel a conta de todos os valores que aplicados, como depreciação e remuneração de capital investido'', diz.
A prova de que os produtores estariam passando por dificuldades, na opinião do presidente da entidade que os representa, é a quantidade de integrados que trocaram a atividade por outras mais ''promissoras''. ''Já fomos 1,2 mil integrados nessa unidade. Dos anos 1980 para cá mais de 200 propriedades avícolas viraram leiteiras'', diz. Ele argumenta, ainda, que os avicultores de hoje não têm sucessores, ou seja, seus filhos não querem continuar na produção.

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