'Quem fez um bom trabalho vai receber bem'
Devanir Garcia dos Santos, gerente de uso sustentável de água e solo da Agência Nacional de Águas (ANA), explica que o acordo com o governo do Paraná prevê a transferência de tecnologia, capacitação de técnicos e apoio à execução de projetos. Segundo ele, por enquanto não haverá a transferência de recursos financeiros. "Futuramente, quando houver a definição dos projetos de interesse do Estado que serão implementados, poderá ser negociada uma participação da ANA no financiamento de algumas ações desses projetos", destaca Santos.
O especialista afirma que para ingressarem no projeto, os produtores precisam adotar as boas práticas conservacionistas que contribuem para o aumento da oferta e da qualidade da água existente na propriedade. Para que isso ocorra, os agricultores devem fazer a manutenção de áreas florestadas, recuperação florestal das áreas degradadas e também a adoção de uma agricultura e pecuária sustentável, utilizando-se das boas práticas de produção. Além dessas ações, a adoção de práticas mecânicas, a exemplo da construção de bacias de infiltração e a readequação das estradas vicinais, são exigências que também deverão ser cumpridas na zona rural.
Segundo Santos, em relação ao recurso que futuramente poderá ser oferecido ao Estado, ele deverá ser calculado com base no custo de oportunidade das áreas. Portanto, o valor dependerá da maneira como as áreas a serem florestadas estão sendo utilizadas hoje. "A ideia é que o produtor rural receba, no mínimo, a renda que ele vinha obtendo na área que será disponibilizada para alguma prática conservacionista", sustenta.
Benefícios
O chefe do departamento de florestas plantadas da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Mariano Félix Duran, afirma que a ação do governo do Paraná é extremamente positiva para os produtores do Estado. Segundo ele, o benefício veio até atrasado, já que as consequências positivas dessa ação são inúmeras. "Além de premiar o produtor, haverá a preservação das águas e das florestas", completa.
O especialista salienta que quem fez um bom trabalho na propriedade irá receber bem. "Já existem experiências semelhantes em Minas Gerais que deram certo", concretiza. Duran acrescenta que todos os produtores devem se adequar à legislação ambiental e agora terão um incentivo a mais para preservar. "Aqueles que não desmataram e que cumpriram a legislação, agora irão receber o pagamento", comemora o especialista. (R.M.)





