Quem é o agricultor brasileiro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de julho de 2002
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
Quem é o agricultor comercial brasileiro? Desvendar qual a verdade do produtor foi o objetivo de um trabalho da Confederação Nacional de Agricultura (CNA).
A pesquisa abrangeu as regiões representativas dos principais sistemas de produção, localizados no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, traçando um perfil das famílias rurais.
Os resultados não devem ser extrapolados para todas as regiões, mas para os sistemas produtivos representados na amostra. Os dados confirmam a hipótese de uma agricultura em mudança, assim como a existência de perfis diferenciados de famílias, caracterizados conforme tamanho e regiões.
Os entrevistados são do sexo masculino (89%) e casados (81%). A distribuição da idade indica a predominância de faixas etárias mais elevadas na população rural: 80% com mais de 46 anos. No item da escolaridade notou-se baixo grau de instrução existente na área rural: 62% possuem apenas o 1º Grau.
A pesquisa aponta que 56% dos produtores possuem famílias com mais de três filhos e 19% não têm filhos. Apenas 36% das famílias possuem filhos que trabalham. Cerca de 60% dos entrevistados possuem mais de uma fazenda. A renda de 53% é de até R$ 500,00 mensais como remuneração exclusiva da atividade rural. Apenas 15% recebem mais de R$ 2 mil por mês.
A remuneração exclusiva da atividade é variável nos Estados. O Amapá, por exemplo, apresentou a menor renda média mensal - R$ 403,00, enquanto Mato Grosso do Sul tem a maior renda média mensal - R$ 2.661,00. Possuem outra fonte de renda, além da atividade rural, 64% dos produtores. A renda total de 64% dos produtores é inferior a 10 salários mínimos. Vale lembrar que a renda total corresponde ao valor da soma das diversas fontes como aposentadoria, serviço autônomo e renda da propriedade, entre outros.
O estudo descreve um perfil de produtor de idade avançada, nível de escolaridade baixo e renda insatisfatória. Entre os problemas que enfrentam com mais frequência no exercício da suas atividades no campo 34% citaram, em primeiro lugar, a falta de crédito ou recursos para o financiamento do setor. Esta indicação superou em 21% outras dificuldades como baixos preços de venda dos produtos e o elevado custo da produção.
Do total de produtores pesquisados 80% administram suas propriedades, sendo que 96% compraram ou herdaram o imóvel rural; 34% utilizaram assistência técnica nos últimos 12 meses da data da pesquisa (2001), sendo 63% de assistência privada e 37% de empresas.
Entre os produtores entrevistados, 71% pretendem incrementar o uso de assistência técnica em suas propriedades, o que demonstra interesse em melhorar os níveis de produtividade.
Levando em conta o universo da amostra, 88% dos produtores que empregam trabalhadores em suas propriedades adotam o contrato temporário. Apenas 30% que utilizam trabalhadores permanentes empregam mais de um trabalhador, enquanto 75% dos que utilizam mão-de-obra temporária possuem mais de um trabalhador contratado em sua propriedade.
A pesquisa verificou que 68% das propriedades não possuem tratores. Apenas 6% utilizam irrigação em suas atividades. Entre as culturas mais comuns está o milho em 39,4% delas. A bovinocultura de corte é a principal atividade desempenhada, presente em 43,9% das propriedades que se dedicam à pecuária. Os dados apontam para a pouca utilização das tecnologias disponíveis na pecuária leiteira.
Entre os meios de comunicação, a televisão é o veículo de informação mais utilizado pelos produtores, com 37% da preferência entre o público pesquisado. O índice supera o rádio que atingiu o índice de 22%, seguido pelos jornais, com 24%. 17% dos produtores possuem computador em casa, na cidade ou na fazenda, mas apenas 25% estão interligados à Internet.


