Queimadas, problema perene no campo e na cidade
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sexta-feira, 01 de junho de 2007
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Os prejuízos com as queimadas ainda exigem ações do poder público no campo e nas cidades, a despeito de todas as campanhas de esclarecimento. Danos ao meio ambiente e prejuízos econômicos e à saúde não têm sido argumentos suficientes para sensibilizar produtores rurais e habitantes urbanos.
Com a chegada da estação seca, os problemas se intensificam. O produtor utiliza a queimada para limpar a área e fazer o plantio seguinte. Na cidade, a dona da casa varre calçadas e quintais, junta folhas e gravetos que depois de secos são queimados. Fumaça, fuligem e mau cheiro acabam causando bastante incômodo e problemas de saúde.
O fogo causa inúmeros problemas ao ambiente. Na lavoura, destrói a cobertura do solo e com isso os microorganismos e insetos como besouros, minhocas, que são importantes para o ecossistema. ''Os incêndios matam animais domésticos, destroem cercas, linhas de transmissão de energia, causam poluição, fecham aeroportos e podem provocar acidentes nas estradas'', enumera Paulo Roberto Mrtvi, mestre em meio ambiente e técnico do escritório da Emater em Londrina.
De acordo com Mrtvi, as pessoas não medem as consequências ao atearem fogo. ''Um dos problemas graves causados pela queimada é a erosão. Com a destruição da cobertura, o impacto da água da chuva é maior, o que acaba levando o solo'', descreve o técnico.
As queimadas na zona rural e urbana colaboram com o aumento do aquecimento global, como alerta Gerson da Silva, secretário do Meio Ambiente de Londrina. ''Estamos falando de qualidade de vida. Quando uma pessoa põe fogo no lixo na sua casa, provoca problemas também para a vizinhança, com fumaça e fuligem'', diz Gerson. Segundo o secretário, no município de Londrina o problema é maior porque existem fragmentos de mata, o que piora as consequências dos incêndios.
A saúde dos habitantes também é afetada, como lembra Silva. ''Nesta época do ano, é muito comum idosos e crianças precisarem de atendimento médico com problemas respiratórios'', diz. A Secretaria do Meio Ambiente não tem dados sistematizados sobre as ocorrências, mas Gerson Silva atesta que o número de denúncias tem aumentado.
A população urbana pode contribuir para a diminuição dos problemas causados pelas queimadas e ainda se beneficiar com isso. Em vez de juntar folhas e gravetos e atear fogo, é possível fazer uma compostagem á- com outros resíduos orgânicos - para adubar hortas e jardins. O processo é bastante simples (ver infográfico nesta página).
A 2 Companhia de Polícia Ambiental - Força Verde -, de Londrina, também não dispõe de números, mas está sempre em ação atendendo ocorrências. Na zona urbana, segundo o soldado Renato Oliveira Aramã, são poucas as autuações porque é difícil flagrar a pessoa que ateou o fogo. E nem sempre o proprietário da área é o responsável pelo incêndio. Na zona rural, a lei impõe multas severas para quem provoca queimadas em áreas de preservação permanente ou mata ciliar. ''O infrator está sujeito a uma multa de R$ 2 mil por hectare e a uma pena de 1 a 3 anos de prisão. Em áreas de cultivo e na zona urbana a multa pode chegar a R$ 300,00'', alerta o soldado.
Aramã afirma que campanhas de conscientização e esclarecimento são importantes e têm mais efeito do que as punições. A Semana do Meio Ambiente - de 1 a 7 de junho - é época propícia para iniciativas desta natureza. A Secretaria do Meio Ambiente de Londrina está organizando uma campanha contra as queimadas, que será realizada no Calçadão (centro). Ali serão expostos banners e a biblioteca móvel ficará à disposição da população.


