Quedas de energia elevam mortes de frangos
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sexta-feira, 24 de abril de 2015
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
Há 13 anos o avicultor André Luiz Trassi tomou um dos maiores sustos de sua vida. Em 2002, uma interrupção de energia elétrica ocasionou a morte de cinco mil frangos de corte em sua granja, instalada em Jaguapitã (Norte). Esse seria um caso isolado se o índice de mortalidade devido a paradas no sistema não fosse tão elevado. Até hoje o avicultor enfrenta perdas significativas a cada ciclo produtivo pelo mesmo motivo. A cada 45 dias, frisa ele, perde de cem a 300 frangos devido às sucessivas quedas de energia que acontecem em sua propriedade.
O produtor conta que pouco mais de 30 segundos de interrupção já é o suficiente para que os animais mais velhos comecem a morrer. Sensíveis às altas temperaturas, os frangos necessitam de um clima mais ameno. Para isso, a maioria dos aviários conta com sistema de ventilação, exaustão e umidificação. Por mês, o avicultor consome de 5 mil a 6 mil quilowatt-hora (kWh), o que gera um custo de R$ 2,2 mil.
Mas o que Trassi reclama não é tanto do preço da luz, mas da instabilidade da rede. Com o objetivo de evitar mais perdas em seus dois aviários, com capacidade para 33 mil frangos, o avicultor foi obrigado a adquirir um gerador de energia. O equipamento ainda não chegou, mas deve ser instalado em breve e custará mais do que o produtor havia previsto. "Antes o valor do gerador variava de R$ 35 mil a R$ 36 mil. Hoje está em R$ 47 mil", reclama o avicultor.
Ele pondera que a Companhia Paranaense de Energia (Copel) já realizou melhorias na rede em sua propriedade. Recentemente, conta o avicultor, aumentaram a capacidade do sistema de 60 para 300 amperes. Contudo, o produtor destaca que não foi o suficiente para evitar as quedas de energia. "É preciso elevar a carga de distribuição, já que a rede de transmissão é muito longa. Por isso, ela perde capacidade quando chega aqui na fazenda", observa.
A solução, na opinião de Trassi, seria fazer a troca, em sua propriedade, do sistema monofásico para o trifásico, que requer menos energia para fazer uma máquina funcionar. O sistema monofásico possui uma carga instalada de 8 mil watts/mês, o que em um aviário pode ser considerado insuficiente. Já o sistema trifásico é feito com quatro fios, três fases e um neutro e sua carga pode chegar a 75 mil watts/mês. Uma das vantagens do sistema trifásico é que ele evita quedas momentâneas de energia. A troca seria feita pela Copel.
Impacto Comercial
Durante o Encontro de Avicultores, evento técnico ocorrido no dia 15 de abril na Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina (ExpoLondrina), Trassi questionou o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, sobre o problema das quedas de energia na zona rural. O secretário concorda que essa é uma deficiência do Paraná, que pode até comprometer as relações comerciais do Estado.
Ortigara explica que quando morre mais de 10% de um lote de frangos devido a inúmeros fatores, entre eles a interrupção de energia, o Estado precisa mandar um fiscal sanitário para avaliar a causa da morte daqueles animais e emitir um laudo. "Eles (países importadores) não acreditam que temos problemas de energia, pensam que pode ser Influenza Aviária ou Newcastle", lamenta.
O secretário observa que a rede rural do Paraná é da década de 1980. "Antes em uma propriedade tínhamos só uma geladeira, um moedor e pequenos aparelhos. Hoje, temos centenas de aparelhos." Uma solução emergencial, segundo ele, seria os financiamentos de geradores de energia para aviários. Contudo, o uso desses equipamentos poderá reduzir a margem de lucro do avicultor.
Conforme o produtor André Luiz Trassi, o financiamento está disponível para a aquisição de gerador de energia, mas conseguir a liberação de recurso é muito burocrático. O secretário da Agricultura, Norberto Ortigara, lembra que também existem as fontes de energia alternativas, como a solar e a biomassa. Contudo, não sabe se o investimento vale ou não a pena. O secretário destaca que para melhorar todo o sistema de distribuição da rede rural do Paraná seria necessário um investimento de R$ 2 bilhões.


