O aumento da oferta e a intensificação da colheita estão interferindo no mercado do milho neste mês. Entre julho e agosto, o preço do produto teve uma redução de 17%, passando de R$ 23,23 para R$ 19,18 na última quarta-feira, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab.
No Paraná, 36,7% do milho safrinha já foram colhidos e a partir de agora o ritmo da colheita deverá aumentar. Segundo o Deral, 77% das lavouras estão em fase de maturação, 21% em fase de frutificação e 2% na floração. Os 1,6 milhão de hectares cultivados deverão render 5,5 milhões de toneladas, 20% menos que a previsão inicial. A quebra da safra é resultado das geadas ocorridas nas principais regiões produtoras como o oeste.
A demanda interna está aquecida em função da utilização do produto na alimentação animal e a remuneração acaba sendo mais vantajosa. Embora exista um mercado potencial no exterior, as exportações não têm se mostrado atrativas por causa do dólar. ''A tonelada do milho no mercado mundial já atingiu o dobro da média histórica. Atualmente chega a US$ 215,00 a tonelada, mas em junho quase alcançou os US$ 300,00'', diz Margorete Demarchi, técnica do Deral.
Porém, com a entrada de um volume maior do milho no mercado interno, os ganhos acabam diminuindo. O produto paranaense concorre com o do Mato Grosso, maior produtor nacional do milho safrinha, que vai colher 6,5 milhões de sacas. Segundo Margorete, esse montante é igual às previsões iniciais do Paraná, frustradas por causa das geadas.
O milho brasileiro pode disputar o mercado internacional. Mas este ano as previsões podem não se concretizar por causa das restrições cambiais. Em 2007 foram comercializadas 10.9 milhões de toneladas no exterior e a estimativa era de que fossem alcançadas as 11 milhões de toneladas este ano. Porém, com o dólar em queda, no primeiro trimestre o volume chegou 2,9 milhões de toneladas.
Soja
O mercado da soja reflete o boom das commodities agrícolas em todo o mundo, embora na última semana tenha sido registrada uma pequena retração. Uma grande demanda pelos produtos, provocada pela crise mundial de alimentos e pela redução de estoques, além do interesse pelos biocombustíveis, teve reflexos nas bolsas de mercadorias. As commodities agrícolas também fazem parte do rol de opções de investimento de pessoas ou grupos que não pertencem ao setor. Papéis são negociados, inclusive, pelos fundos de pensão.
O preço da soja teve um incremento de 106% em relação aos valores da média histórica do produto na Bolsa de Chicago. No período entre 2000 entre e 2007, o produto registrava uma média de US$ 226,00 a tonelada; na terça-feira o preço alcançou US$ 466,00 a tonelada.
Com grande parte da safra já comercializada, o produto vem sofrendo variações negativas no mercado interno. Na última semana, o valor teve uma queda de 9%, passando de R$ 43,72 para R$ 39,90. Esta tendência vem sendo registrada no último mês, quando se verificou redução de 20%: no início de julho, o produto era comercializado a R$ 49,66.
No mercado interno, a soja também refletiu o que ocorre nas bolsas internacionais no último ano. O valor da saca de 60 quilos passou de R$ 29,33 para R$ 39,90, variação de 36%.

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