Produtores de milho temem que os preços do produto desabem a níveis de R$ 13,00/saca, se for confirmada uma safrinha ''cheia'', ou seja, se não houver redução da colheita por conta do clima. Agentes do mercado acham que a preocupação dos produtores procede.
''Não queremos apostar no pior, que seria uma geada'' - explicou esta semana um dirigente sindical do Oeste -, mas o governo tem que acionar mecanismos de sustentação de preços. Isto, para ele, não é favor nem proteção, é artifício de mercado para que não haja prejuízo.
O dirigente lembra que na safrinha do ano passado, como não houve instrumento regulador do mercado, os preços desabaram antes do plantio de verão e o resultado foi uma redução de área. Com a queda da área e da produção, toda cadeia produtiva, incluindo o setor carnes, foi prejudicado.
''O agricultor prefere vender a preços baixos - e colher bastante - a colher pouco e vender caro. É uma questão pessoal: ele quer ver o campo produzir'' - garante o dirigente, para não deixar entrever que está apostando no pior. Nada de catastrofismo, resume.
O empresário José Donizete Pitoli, do ramo de cereais e analista de mercado, não acredita num recuo significativo dos preços do milho. Mas não vê perspectivas favoráveis para o produtor. O mercado exercido pelas indústrias do milho é predatório e desestimulante - concorda - ao ser entrevistado esta semana.
Pitoli observa que os contratos de opção, hoje, conferem sustentação aos preços. A R$ 18,80, menos despesas, prevalece um preço líquido de R$ 16,30/saca. Tanto que o leilão de opção, três semanas atrás, vendeu 100% da oferta. Este milho não volta ao mercado tão cedo - observa Pitoli.
Para ele, diante do quadro atual, com dólar a R$ 3,00, e considerando as chances de exportação, os preços devem manter-se entre R$ 15,00 e R$ 15,30/saca, variando por região.
O empresário acha que este preço não é bom para o produtor e mostra um quadro de oferta maior que a demanda para a safra de verão.
''Estamos negociando hoje contratos de exportação de milho em torno de US$ 108,00 e US$ 110,00/tonelada para embarque em agosto setembro. Isso indica que teremos preço a nível de produtor na faixa de US$ 5,40 a US$ 5,50 na época.
Logo, se falamos em US$ 5,40 ao câmbio de R$ 3,00/US$ 1,00 estamos falando de milho a R$ 16,20. Mas há o aumento do frete o que pode reduzir para R$ 15,50.
Não é um preço estimulante - reconhece - já que o produtor comprou insumos com dólar a R$ 3,40 em fevereiro e março.

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