O recuo da soja no mercado interno, por conta da queda do dólar, não afeta o preço da terra, que continua em alta
Curitiba - O valor da terra no Paraná, que vem em alta nos últimos três anos, teve novo impulso nos últimos meses. A valorização acompanhou a alta do dólar e da soja. Nos últimos meses o dólar caiu, mas os preços da terra foram mantidos. Pesquisa preliminar feita pelo Dereal, aponta que este ano, os preços médios da terra praticamente dobraram em relação ao ano passado. A pesquisa do Deral é utilizada pela Receita Federal como referência para fixar o valor do Imposto Territorial Rural (ITR).
Na região de Maringá, onde predomina a terra roxa, muito fértil, o valor da terra continua cotado em soja. O valor do alqueire está entre 1.200 e 1.500 sacas de soja, informa Iracy Lúcio Mochi, proprietário da Imobiliária Paiaguás, de Maringá. Antes da que da soja a equivalência era de mais ou menos 1.000 a 1.200 sacas. Levando em consideração o preço da soja no atacado, de R$ 38,00 a saca, ''só se compra um alqueire de terra na região por valores que variam de R$ 45.600,00 a R$ 57.000,00''.
Mochi ressalta que na região, esse preço vem se mantendo desde o ano passado. Ele disse que o valor da terra ainda não reagiu porque o período é de colheita. Disse que o preço da soja vai se valorizar ainda mais, com o ajuste cambial. Aí ele acredita que poderão ser fechados alguns negócios, porque, por enquanto, não existe oferta de terra na região. Ele conta que dias atrás, ventilou-se que uma área de 40 alqueires estava à venda em Astorga e ''choveu'' compradores.
O empresário disse que o valor da terra no Paraná vem acompanhando a alta da cotação de soja nos útlimos anos. Segundo ele, a tendência é de valorizar mais ainda porque o grão tem liquidez no mercado externo e o País precisa aumentar as exportações para equilibrar a balança de pagamentos. Para isso, o País vai precisar de produção e quem produzir soja vai ganhar mais dinheiro do que qualquer outro investimento, afirmou.
A valorização da terra em função da soja está acontecendo em todas as regiões do Estado, principalmente no Oeste do Estado, onde também predomina a terra roxa. Na região de Toledo e Assis Chateubriand, o valor da terra se iguala ao da região Norte.
Foco agora é arenito - Em decorrência das cotações elevadas e da escassez de terra para negociar, os agricultores estão migrando seus investimentos para o Arenito, onde a pecuária está cedendo espaço para o plantio de soja. Naquela região, a terra ainda está cotada em reais, mas o preço dobrou este ano. O alqueire na região está cotado entre R$ 15 mil e R$ 20 mil, quando no ano passado se podia comprar terra por até R$ 8 mil, disse o dono da imobiliária.
Os proprietários já estruturados, que têm maquinário e silos são os que mais procuram terras para comprar. Eles querem agregar terra ao uso de seus equipamentos, explicou Mochi. Como já têm estrutura, não dependem de novos investimentos para produzir.
A pesquisa que está sendo feita pelo Deral confirma a valorização já constatada pelas imobiliárias. Na região de Londrina, o preço médio da terra passou de R$ 4.911,00 o hectare em 2002, para R$ 7.148,00 este ano. A chefe do setor de Estatística do Deral, Gilka Andretta, salienta que o preço divulgado pelo órgão leva em consideração a média da região.
Segundo Andretta, o preço da terra no Paraná está virando também uma commodity. Mesmo as terras de baixo valor estão ''praticamente dobrando seus preços''. Ela citou como exemplo a região de Francisco Beltrão, onde a terra mista (terra de areia e terra fértil), aumentou de R$ 1.931,00 o hectare no ano passado, para R$ 3.221,00 o hectare, este ano.
Outra informação levantada pela pesquisa do Deral, é que está mudando a característica das negociações com imóveis no Estado. Andretta destacou que os negócios vinham sendo efetivados praticamente à vista ou no máximo, no período de uma safra. Agora, os negócios estão definitivamente atrelados ao valor da soja e se prolongam por até três safras, cujo preço final fica ''enorme'', afirmou.
O Deral constatou ainda uma valorização mais signficativa nas terras do Arenito, região onde as imobiliárias também constataram que estão ocorrendo grandes investimentos. Na região de Umuarama, o valor da terra subiu de R$ 3.700,00 em 2002 para R$ 6.700,00, este ano. Este é um preço médio. Em propriedades com benfeitorias o valor é bem mais elevado.

mockup